
Foi na Sede do Moza Banco, em Maputo, que se escreveu mais um capítulo importante para o empreendedorismo feminino em Moçambique. Durante o encontro “Desafios e Soluções para as Mulheres Empreendedoras”, o Moza Banco e o Banco Europeu de Investimento (BEI) anunciaram o lançamento de uma linha de financiamento de 10 Milhões de Euros, com uma condição transformadora: 40% desse montante será destinado, de forma exclusiva, a empresas detidas ou lideradas por mulheres.
Mas a iniciativa não para por aí. Além do crédito, o programa inclui um robusto componente de assistência técnica, financiado pela União Europeia e pelo BEI, que irá capacitar as beneficiárias através de formações, literacia financeira, workshops sectoriais e apoio estratégico à preparação para o financiamento – numa verdadeira ponte entre o acesso ao recurso e a sustentabilidade do negócio.
O evento reuniu empresárias, associações, parceiros institucionais e representantes da GOPA AFC, numa mesa de debate moderada por Maria Chissano, Women Champion do Moza Banco. Participaram, ainda, a economista e empreendedora Tânia Tomé, uma empresária cliente do banco e representantes das entidades financiadoras, que não só mapearam os principais bloqueios no acesso ao crédito – desde as exigências de garantias até ao historial bancário – como também detalharam as condições práticas de acesso à nova linha.
E mais: esta operação integra o programa de Assistência Técnica para Apoiar a Inclusão Financeira de Mulheres Empreendedoras, que será implementado entre 2025 e 2027, no âmbito do Fundo Fiduciário ACP. Ou seja, não se trata de um apoio pontual, mas sim de um compromisso de médio prazo com a autonomia financeira feminina.
Durante a sessão, foi também apresentada publicamente a figura da Women Champion do Moza Banco, que terá a missão de impulsionar e acompanhar, em toda a rede nacional, as acções de inclusão financeira dirigidas à mulher. Uma aposta clara na transversalidade do impacto.
A Directora de Retalho do Moza Banco, Sheila Ronda, foi incisiva ao afirmar que “o acesso ao financiamento é uma questão de desenho e não de mérito”. E explicou: “Há em Moçambique empresas sólidas, lideradas por mulheres, que não crescem apenas porque os instrumentos de financiamento não foram pensados para elas. Ao reservarmos 40% desta linha, não estamos a conceder um favor: estamos a corrigir uma ineficiência da própria economia. E assumimos o compromisso de prestar contas dos resultados.”
Esta nova linha alinha-se, assim, com o projecto Moza Women, lançado em 2024, que já vem agregando soluções financeiras e não financeiras para fortalecer o papel da mulher na economia. E soma-se, ainda, às acções de inclusão financeira que o banco tem desenvolvido junto do segmento das PME.
Com este lançamento, o Moza Banco não apenas reforça o seu posicionamento como parceiro financeiro das mulheres empreendedoras – mas assume, de forma clara, a missão de transformar a inclusão financeira em instrumentos concretos, mensuráveis e acessíveis em todo o território nacional. E essa, sim, é uma mudança com rosto, nome e futuro.

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