
A História e os Desafios do Café Sol em Moçambique
Celebrou-se no dia 1 de Outubro, o Dia Internacional do Café, data criada pela Organização Internacional do Café (OIC) e reconhecida pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objectivo de destacar a importância económica, social e cultural da cafeicultura em todo o mundo.
Em Moçambique, o Café Sol é uma referência no processamento e comercialização de café desde Agosto de 2007. Para assinalar esta data, o jornal Preto e Branco foi à rua conversar com os responsáveis desta empresa, que partilharam a sua história, os desafios enfrentados e as perspectivas para o futuro.
De acordo com a fonte disse a nossa reportagem, a iniciativa do Café Sol surgiu da vontade de alguns sócios que começaram a explorar o Café em Maputo. Na altura, explicou, "não havia muito café, a maioria dos cafés eram importados".
O Café Sol procurou, primeiramente, fornecedores locais, isto é, a nível nacional. Contudo, não existia produção local nesse período. Foi por essa razão que o primeiro fornecedor foi a República do Malawi, com Café produzido no Malawi e processado em Moçambique.
"O grão do café malawiano foi considerado pela organização como sendo de alta qualidade. Torrávamos, empacotávamos e distribuíamos pelos supermercados. Mais tarde, tivemos a ideia de ter um Coffee Shop aqui", recordou.
À medida que o Café era processado e as pessoas começaram a prová-lo, surgiu a ideia de abrir uma pastelaria para ter alguns pastéis e biscoitos para acompanhar o café. Gradualmente, o espaço ampliou-se para uma espécie de restaurante, introduzindo alguns pratos. Assim, acabamos por ter também um restaurante.
"Importa referir que o nosso core business é realmente o próprio Café. O restaurante nasce depois do Café, mas a verdadeira testeira aqui é o Café Sol", sublinhou.
O Café Sol, em si próprio, é a marca que representa o Café. A mesma marca é usada para o nome do restaurante. "Nós somos realmente a Companhia do Café de Maputo", afirmou.
Ao longo deste processo, o Café Sol enfrentou vários desafios. O primeiro surgiu após as cheias de 2000, quando a Avenida Julius Nyerere ficou interrompida, dificultando o acesso dos clientes ao estabelecimento.
"Realmente foi um desafio enorme para o Café Sol, para os clientes chegar ao nosso restaurante. Estamos a falar do período a seguir as cheias de 2000, a estrada ficou interrompida e dificilmente podia-se chegar ao Café Sol. Esse foi o primeiro desafio", contou.
Depois da reparação da estrada, o café começou a recuperar. Já estava numa situação que mostrava alguma capacidade para começar a produzir. O negócio andou muito bem até 2021.
Em 2019, havia estabelecido uma sucursal na Dona Alice, que se chamava Café Lua, e uma outra sucursal emergiu entre as Avenidas Kenneth Kaunda e a Do Zimbabwe. Contudo, logo depois fomos atingidos pela Covid-19. As restrições afectaram a organização, tendo obrigado ao encerramento de ambas as sucursais. "Ficamos confinados", lamentou.
Quanto aos rendimentos, olhando para o custo de produção e todo o processo até ao produto final, a fonte explicou que, durante o período antes da Covid-19, conseguiam comprar cerca de 16 toneladas de café verde por ano. "Depois da Covid, caímos drasticamente. Já era difícil", afirmou.
Nota que começamos a ter Café em cestos, porque já não tínhamos vendas. Mais tarde, começamos a recuperar e as pessoas começaram a voltar. "Também o mercado em si chegou a cair nesse tempo da Covid. Mas dentro disso tudo, começámos a ter que nos reinventar", disse.
Em termos de distribuição, o Café Sol não tem o seu próprio distribuidor. Depende dos clientes que já os conhece e que vêm pedir as encomendas. "Nós pegávamos a encomenda, entregávamos a um operador que se chamava Correios de Moçambique. Ele fazia a distribuição para todo o país, dependendo de onde o cliente estivesse", explicou.
Contudo, quando os Correios fecharam as portas, perdemos esta facilidade de distribuição a nível nacional. "Criou-nos outro desafio: como distribuir o próprio Café?", questionou.
A fonte revelou que, após a Covid, quando achavam que já estavam a recuperar, nas últimas eleições tiveram mais uma queda, pós eleitoral. "Depois das eleições presidenciais, era antes de nos recuperarmos devidamente. Voltámos a ser endividados. Em termos de custos operacionais, há muitas coisas que realmente ficaram descontinuadas.
Tivemos o problema de ter o Café, porque realmente não conseguimos fazer as receitas conforme. Perdemos muitas receitas", afirmou.
No final de cada ano, precisamente em Dezembro, vários instancias turísticos tem lavado Café connosco, porque são o maior consumidor. "Muitas das encomendas não foram solicitadas porque não tinham hóspedes por aí fora. Tivemos uma grande quebra. Foi um facto desafiador", acrescentou.
Quando já precisávamos de Café, como não conseguíamos comprar o café suficiente, começamos a comprar Café localmente, que saiu em conta. "Passámos já a comprar Café nacional, produzido em Manica. Esse Café que nós estamos a usar como Café Sol já passámos a usar há dois anos", revelou.
Quanto ao apoio técnico e ao escoamento do produto para o mercado em crescimento, a fonte esclareceu que, em termos de logística, a distribuição não é a sua área essencial. "Porquê? Porque nós consideramos que somos apenas restauradores e produzimos os Cafés", justificou.
"Nós, normalmente, tentamos o mais possível coordenar com os próprios clientes para se organizarem em termos de transporte e como fazer o Café chegar até eles. Mas para os clientes, os supermercados que estão ao redor da cidade de Maputo, nós fazemos a nossa própria entrega. Fora da capital de Maputo, pedimos que os clientes articulem a parte de transporte e eles vêm buscar directamente o Café e fazer a sua própria distribuição", explicou.
Questionado sobre os benefícios do consumo de Café, a fonte destacou que se trata de um Café realmente natural e puro. "Benefícios, realmente, já depende de quem realmente adora um Café e quem aprecia um Café", disse.
"Estivemos na FACIM e sempre temos acolhido o feedback dos clientes quando nós os damos para provar o Café. É através deles que realmente nós escutamos em que estado o nosso Café está. Nós, como torradores, pegamos o grau e torramos consoante à origem do grau para realmente continuarmos a manter o nosso padrão do sabor do Café. No momento que nós trocamos do grau para o grau nacional, realmente poucas pessoas que consomem o nosso café podem realmente notar que o Café, o grau já não é o mesmo", explicou.
"Cada tipo de café é torrado de acordo com a sua origem, local de produção, origem", acrescentou.
No dia 1 de Outubro, celebrou-se o Dia Internacional do Café. Como produtor de Café, qual é a mensagem que deixa neste momento?
"Especialmente, encorajamos que realmente o Café nacional... nós temos realmente a grande possibilidade de produzir em grande escala o Café. Temos todas as condições. Se nós virmos as empresas ou as cooperativas que entraram há 5 anos atrás, tirando a maior, que é a Gorongosa, que é uma situação diferente dos outros produtores nacionais, o Café, a quantidade de Café ainda não é lá em grande volume, mas a boa parte é através da nossa associação AMOCAFE", afirmou.
"Realmente já existem vários produtores e também nós somos membros da AMOCAFE, a Associação Moçambicana de Café", concluiu
A fonte agradeceu a oportunidade: "Se nós queremos ser um Café que realmente é conhecido a nível nacional, por aí fora, nunca é suficiente a divulgação do nosso Café. Realmente agradecer por essa oportunidade."
O jornal Preto e Branco agradece a disponibilidade e deseja ao Café Sol muito sucesso na sua missão de levar o Café moçambicano a todos os cantos.

Cultura
2026-10-02

Sociedade
2026-10-02

Sociedade
2026-10-02

Politica
2026-10-01

Cultura
2026-09-30
Copyright Jornal Preto e Branco Todos Direitos Resevados . 2025
Website Feito Por Déleo Cambula