Idosa desorientada é vítima de acusações de feitiçaria e maus-tratos no Zimpeto

Uma idosa, identificada como Vovó Flora, foi alvo de acusações de feitiçaria e de actos de humilhação depois de ser encontrada, durante a madrugada desta terça-feira, no quintal de uma residência no bairro do Zimpeto, na cidade de Maputo.

A presença da mulher no local, por volta da uma hora da madrugada, provocou agitação entre os moradores, que, sem conhecerem as circunstâncias que a levaram até àquela residência, levantaram suspeitas de que estaria envolvida em práticas de feitiçaria.

Entretanto, a família da idosa rejeita categoricamente as acusações e esclarece que Vovó Flora é professora de profissão e sofre de perturbações mentais, situação que, segundo os familiares, poderá ter contribuído para a sua desorientação.

De acordo com o esposo, a mulher saiu de casa no último sábado com destino à igreja, mas acabou por se perder e não conseguiu encontrar o caminho de regresso. Desde então, a família iniciou uma busca pelo seu paradeiro, sem sucesso.

A localização da idosa viria a acontecer posteriormente, na sequência da divulgação do seu desaparecimento numa reportagem televisiva. Após a identificação do local onde se encontrava, os familiares deslocaram-se ao Zimpeto para proceder ao reencontro com Vovó Flora.

Apesar do desfecho do desaparecimento, o caso deixou a família revoltada. Os parentes denunciam que a idosa, além de ter sido acusada de feitiçaria, foi despida, exposta publicamente e maltratada por alguns residentes, numa situação que consideram inadmissível.

Para a família, a mulher encontrava-se numa condição de vulnerabilidade e necessitava de assistência, sobretudo por estar desorientada e sem capacidade de explicar de forma clara como tinha chegado ao local.

Os familiares defendem que o estado de saúde da idosa deveria ter levado os moradores a procurar ajuda e a contactar as autoridades, em vez de recorrerem a acusações e actos de violência.

O episódio reacende, igualmente, o debate sobre os perigos da estigmatização de pessoas com perturbações mentais e sobre a persistência de acusações de feitiçaria contra idosos em algumas comunidades. Para a família de Vovó Flora, é necessário que os responsáveis pelos actos de humilhação e maus-tratos sejam identificados e responsabilizados.

Enquanto aguarda-se pelo esclarecimento das circunstâncias do incidente, a família procura agora garantir a recuperação da idosa e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer, defendendo maior sensibilização da comunidade para o tratamento digno de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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