Chapo lança ultimato contra violência e pobreza: “Mulher moçambicana não pode esperar mais”

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, declarou esta quarta-feira, na abertura da VIII Conferência Nacional sobre Mulher e Género, que a eliminação da violência baseada no género e a erradicação da pobreza são "prioridades absolutas" da agenda nacional até 2030. Num discurso incisivo, o Chefe de Estado não se limitou a elogiar os avanços, mas traçou um panorama realista e desafiador, afirmando que o Estado e a sociedade civil precisam de remar juntos na mesma direcção sob pena de se perpetuar o ciclo de exclusão feminina.

"Temos motivos para nos orgulhar dos progressos na educação, na saúde, no acesso à terra e na crescente participação política das mulheres. Contudo, os números ainda teimam em mostrar que as desigualdades persistem e que a violência doméstica continua a manchar os lares moçambicanos", sublinhou Chapo, perante uma plateia composta por activistas, governantes e representantes da sociedade civil.

O estadista foi além do diagnóstico e apelou à acção imediata: por um lado, exigiu a adopção de compromissos concretos e mensuráveis para acelerar o empoderamento feminino; por outro, reforçou que a luta contra a pobreza não pode ser dissociada da autonomia económica das raparigas e mulheres. "Não basta abrir escolas se as meninas são forçadas a casar cedo. Não basta criar leis se as vítimas de violência não encontram redes de protecção eficazes", alertou, defendendo uma abordagem integrada que envolva desde o sistema judicial até às comunidades rurais.

A conferência, que decorre sob o lema "Mulher e Desenvolvimento: Rumo à Agenda 2030", serve como palco para a revisão das políticas públicas de género. Enquanto o Presidente reconhecia os êxitos alcançados – como o aumento de mulheres em cargos de decisão e a melhoria dos indicadores de saúde materna –, ele próprio fez questão de salientar que o caminho ainda é longo e repleto de obstáculos estruturais.

"O empoderamento da mulher moçambicana não é um favor que o Estado faz, mas sim uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentável do país", enfatizou Chapo, desafiando os presentes a transformarem as declarações em acções palpáveis. Nesse sentido, anunciou que o Executivo vai reforçar os mecanismos de monitoria das políticas de igualdade, prometendo maior rigor na aplicação da Lei contra a Violência Doméstica e a criação de fundos específicos para apoiar empreendedoras rurais.

 A conferência termina na sexta-feira com a expectativa de que sejam firmados compromissos concretos entre os vários sectores da sociedade, alinhados com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Contudo, o tom do Presidente deixou claro que o tempo de diagnósticos já passou: "Agora é a hora da acção conjunta. A mulher moçambicana não pode esperar mais até 2030. O futuro que queremos constrói-se hoje, com coragem e com verdade", concluiu, sob fortes aplausos.

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