
A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) está a reforçar a aposta numa piscicultura mais segura e sustentável em Moçambique, através da capacitação de produtores em matérias de biossegurança. A iniciativa decorreu no distrito de Vanduzi e reuniu piscicultores provenientes das províncias de Sofala, Manica e Tete, com o objectivo de fortalecer conhecimentos sobre prevenção de doenças e implementação de planos de biossegurança nas unidades de produção de piscicultora.
Num contexto em que a criação de peixe cresce no país, acompanhando a dinâmica já observada no sector avícola, a UNIDO alertou que o sucesso do negócio depende não apenas de boas infra-estruturas ou ração de qualidade, mas sobretudo da adopção de medidas preventivas eficazes. Durante a formação, foi enfatizado que a ocorrência de doenças pode comprometer gravemente a produtividade, aumentar os custos com tratamentos, reduzir o crescimento dos peixes e, em casos mais severos, provocar a perda de mercados.
O foco central da capacitação incidiu sobre a análise de risco, entendida como ferramenta essencial para antecipar e mitigar ameaças sanitárias. Os formadores explicaram que o risco é determinado por três factores principais: o perigo (a doença em si), a probabilidade de ocorrência e a consequência associada. Quanto maior a probabilidade e mais graves as consequências, maior o grau de risco e, consequentemente, maior deve ser a prioridade de intervenção.
Através de exemplos práticos, os participantes foram levados a reflectir sobre como doenças podem atingir os tanques, mesmo quando têm origem em regiões distantes ou países vizinhos. Entre os principais factores de risco identificados destacam-se a introdução de peixes doentes, a circulação de pessoas entre diferentes explorações sem medidas adequadas de controlo, o uso de equipamentos contaminados, como redes partilhadas e a própria água, que pode actuar como veículo de patógenos.
A formação também procurou desconstruir a ideia de que produtores que nunca enfrentaram surtos estão automaticamente protegidos. Segundo os técnicos, o tamanho da produção influencia a exposição ao risco: quanto maior o número de tanques e o volume de peixe, maior a probabilidade de ocorrência de problemas sanitários. Assim, a prevenção deve ser transversal, independentemente da escala da actividade.
No plano prático, a UNIDO apresentou quatro etapas fundamentais para a implementação de um plano de biossegurança: identificação dos perigos, avaliação do risco, gestão do risco e documentação do processo. A identificação inclui não apenas doenças conhecidas, mas também práticas e procedimentos que possam representar ameaça, como a qualidade da água, o transporte de alimentos e a introdução de novos lotes de peixe. A avaliação do risco permite classificar a probabilidade de remota a certa e estimar a gravidade das consequências, que podem ir desde perdas pontuais até à mortalidade total da produção.
Os formadores elucidaram que a gestão do risco implica a adopção de medidas concretas para bloquear a entrada e a disseminação de doenças, enquanto a documentação assegura o registo sistemático das acções implementadas, facilitando o controlo e a monitoria contínua. Neste contexto, a biossegurança deve ser encarada como investimento estratégico e não como custo adicional. Para além das perdas directas associadas à mortalidade, uma doença pode comprometer a qualidade do produto, afectar a confiança dos clientes e, em cenários extremos, levar ao encerramento da actividade. Neste sentido, a capacitação promovida pela UNIDO reforça a necessidade de uma mudança de mentalidade no sector aquícola nacional, apostando na prevenção como garantia de sustentabilidade económica e segurança alimentar.
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