Pagamento relâmpago ao FMI levanta suspeitas: Governo liquida 700 milhões USD em silêncio

O Governo de Moçambique liquidou, ao longo do mês de março, cerca de 700 milhões de dólares em crédito concecional junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), fazendo desaparecer, em poucos dias, um saldo que até janeiro rondava os 698 milhões de USD. A 27 de março, os dados da instituição passaram a indicar saldo zero, numa movimentação considerada inesperada.

A decisão contrasta com projeções anteriores, segundo as quais o país poderia cumprir um plano de pagamento mais prolongado. Com base em dados do próprio FMI, o economista Roberto Tibana apontava que Moçambique tinha margem para pagar cerca de 572 milhões de dólares até 2030 e ainda entrar em 2031 com um saldo de 125,9 milhões, sem necessidade de antecipar a liquidação total.

Neste contexto, cresce o debate em torno do racional que terá orientado o Governo a acelerar o pagamento integral da dívida, bem como da origem dos recursos financeiros utilizados para concretizar esta operação. A decisão também levanta preocupações quanto à sua oportunidade, tendo em conta o momento económico delicado que o país atravessa.

A antecipação do pagamento ocorre numa altura marcada por salários em atraso, uma dívida interna elevada, dificuldades no reembolso a empresas, além dos impactos de calamidades naturais e níveis preocupantes de fome. Paralelamente, impõe-se a necessidade de reforçar reservas financeiras para fazer face a possíveis choques externos, sobretudo num cenário internacional influenciado por tensões no Médio Oriente.

Perante este quadro, a medida do Executivo intensifica o escrutínio público sobre a definição de prioridades, a transparência na gestão dos recursos e a sustentabilidade das decisões económicas num país que enfrenta múltiplos desafios simultâneos.

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