
Na sequência do que começou com uma concentração na Praça de Touros terminou em apreensões e polémica no Mercado do Estrela Vermelha, no coração de Maputo. Uma operação policial de fiscalização a acessórios de viaturas, realizada em Maputo, deixou um rasto de bancas vazias e revendedores indignados. Se para as autoridades a acção visava combater o mercado de peças roubadas, para os comerciantes, a intervenção foi um "tiro no escuro" que atingiu em cheio quem diz trabalhar dentro da lei.
A operação teve o seu ponto de partida na Praça de Touros, de onde as forças policiais seguiram em direcção ao mercado, num movimento que surpreendeu vendedores e clientes. O alvo eram os acessórios para viaturas expostos nas bancas, mas o que se viu a seguir foi um verdadeiro arrastão.
No entanto, o que para a polícia é vista como uma caça aos produtos de origem duvidosa, para os vendedores é vista como uma injustiça. Em conversa com a nossa reportagem, vários comerciantes, agora considerados clandestinos, garantiram que a sua actividade é exercida de acordo com as directrizes do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.
E mais: exibiram recibos e facturas, afirmando que toda a mercadoria apreendida foi adquirida a fornecedores legais. "Temos documentação de tudo, pagamos as nossas taxas. Para nosso espanto, a polícia não quis saber de mais nada, só levou as peças", desabafou um dos revendedores, que pediu anonimato por medo de represálias.
Por outro lado, a própria classe reconhece que o problema das peças de origem ilícita é real. "Sim, existem pessoas que vendem material roubado em diferentes locais, e essas deviam ser o alvo", admite outro vendedor, apontando para a diferença entre o seu material, ainda com embalagens e aspecto novo, e o que poderia ser considerado suspeito.
Neste momento, o sentimento que impera entre os revendedores é de impotência. Eles clamam por justiça e exigem a devolução imediata de tudo o que foi retirado das suas bancas. "Estamos dispostos a colaborar com as autoridades para qualquer esclarecimento, a apresentar os nossos documentos. Não somos ladrões, somos trabalhadores", apelou.
O caso expõe a ténue linha entre a necessidade de reprimir o crime e o direito ao trabalho de quem se sente na legalidade. Enquanto o Conselho Municipal não se pronuncia sobre as licenças destes vendedores e a polícia não apresenta os resultados da apreensão, o Mercado do Estrela Vermelha fica com metade das suas bancas vazias e uma fileira de histórias à espera de um desfecho justo.
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