
A restrição sistemática ao acesso de mulheres e raparigas aos serviços de saúde está a transformar o frágil sistema afegão numa "catástrofe sanitária de grande escala", alertou esta semana o relator especial da ONU, Richard Bennett.
Perante o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, o especialista denunciou que as autoridades talibãs impõem políticas "opressivas de género" que não só limitam a liberdade de circulação e o direito ao trabalho das mulheres, como reforçam a segregação nas unidades de saúde. De acordo com a agência Lusa, Bennett classificou estas medidas como parte de um sistema institucionalizado de discriminação, que priva as mulheres afegãs da autonomia sobre o próprio corpo e futuro.
A crise é duplamente alimentada: por um lado, pelas barreiras internas impostas pelo regime; por outro, pela redução drástica do financiamento internacional, que já enfraquece programas de saúde vitais. O relatório da ONU sublinhou que o país, já debilitado por décadas de conflito e pobreza, enfrenta agora um agravamento sem precedentes.
Entre os pontos mais críticos está a proibição da educação médica para mulheres, em vigor desde o ano passado. A medida, segundo Bennett, compromete a formação de novas profissionais e coloca em risco todo o sector sanitário, podendo resultar num aumento de doenças, sofrimento evitável e mortes desnecessárias. "Caso não seja revertida", advertiu, "terá impactos duradouros nas famílias e nas futuras gerações".
Para o relatório, o caráter sistemático e discriminatório destas práticas reforça os indícios de que podem configurar crimes contra a humanidade, tornando urgente a resposta da comunidade internacional.
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