Munícipes acusam FIPAG de falta de transparência nas cobranças

A crescente onda de reclamações sobre discrepâncias nas facturas de água nas cidades de Maputo e Matola está a levantar sérias dúvidas sobre a transparência do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG). Entre os relatos mais alarmantes, destaca-se um cenário que desafia a lógica: mesmo sem água nas torneiras, os contadores continuam a girar.

Numa ronda realizada na semana passada, o Jornal Preto e Branco ouviu diversos consumidores e constatou um padrão preocupante, facturas com valores praticamente idênticos mês após mês, ausência de clareza na leitura do consumo e a imposição de pagamento antes mesmo da análise de reclamações.

“Pagamos porque não temos alternativa, mas desconfiamos que os valores não correspondem ao consumo real”, revelou um munícipe, sob anonimato.

Determinada a apurar os factos, a equipa de reportagem deslocou-se à sede do FIPAG, na Avenida Eduardo Mondlane, em Maputo, levando consigo a cópia de uma factura contestada. No atendimento, uma funcionária explicou que o valor cobrado baseava-se na última leitura registada no sistema, mas reconheceu que seria necessária a verificação da leitura actual do contador para confirmar a exactidão dos dados.

No entanto, ao contactar a residência do consumidor em causa, surgiu um dado ainda mais inquietante, naquele momento, não havia abastecimento de água. Imagens e vídeos enviados via WhatsApp revelaram uma anomalia evidente, o contador continuava a girar, mesmo sem qualquer fornecimento na rede pública.

Confrontada com as evidências, a funcionária do FIPAG admitiu tratar-se de uma possível avaria. O caso foi imediatamente encaminhado à equipa técnica, que deverá deslocar-se ao local no prazo de até 15 dias. Em resposta, a instituição garantiu que o cliente não será obrigado a pagar a factura até à conclusão da avaliação técnica, formalizando assim o processo de reclamação.

Apesar dessa abertura, os relatos recolhidos nos bairros de Maputo e Matola indicam que a insatisfação é generalizada. Consumidores apontam falhas recorrentes na prestação de serviços, desde leituras duvidosas até à dificuldade em ver as suas preocupações resolvidas de forma célere.

Uma fonte do FIPAG assegurou que melhorias foram implementadas no atendimento ao público e apelou à colaboração dos utentes. “Qualquer cidadão que se sinta lesado deve dirigir-se aos nossos balcões para que a situação seja analisada e resolvida”, afirmou.

Ainda assim, para muitos munícipes, a confiança no sistema continua abalada. Entre torneiras secas e contadores activos, cresce a exigência por respostas concretas, transparência e justiça nas cobranças.

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