Moradores de Mulotana enfrentam o drama do Rio Matola mais uma vez

A travessia sobre o Rio Matola, no troço entre Mulotana e Malhapswene, voltou a se tornar um pesadelo para os moradores da região. Após as cheias de janeiro que engoliram a ponte por duas semanas e expuseram a fragilidade das intervenções emergenciais — de "falsas engenharias" a um tractor que caiu no rio com populares —, a atual época chuvosa, que começou na semana passada, já reinstaura o caos. Pedestres são obrigados a entrar na água, enquanto viaturas ligeiras se mostram impotentes, exigindo-se veículos de tracção às quatro rodas ou camionetas para a travessia. A expectativa gerada pela pompa da visita do Governador da Matola, Manuel Simão Tule, dá agora lugar à apreensão: com a previsão de chuvas intensas e descargas das barragens dos países vizinhos, a população teme ficar completamente isolada já na próxima segunda-feira.

A pequena ponte sobre o Rio Matola, no troço que liga Mulotana a Malhapswene, é mais do que uma estrutura de concreto; é a principal artéria de uma comunidade. No entanto, a cada época chuvosa, ela se transforma no epicentro de um drama. No último mês de Janeiro, a situação atingiu o seu ponto mais crítico. As cheias não só submergiram a ponte durante quinze dias, como também evidenciaram a ineficácia das soluções de recurso.

Na ocasião, enquanto a água subia, assistiu-se a tentativas desesperadas de "falsas engenharias" sobre a estrutura submersa, todas sem sucesso. Mais tarde, o governo local alocou um tractor para auxiliar na travessia de populares. A medida, no entanto, durou pouco e terminou em tragédia: o tractor acabou por cair no rio, colocando em risco a vida dos que transportava.

Agora, com a nova época chuvosa que se instalou na semana passada, o cenário de impotência retorna com a mesma força. Já se registam focos de dificuldades extrema para atravessar o rio.

De um lado, os pedestres são forçados a molhar-se, arriscando a segurança ao entrar na correnteza. Do outro, os condutores de viaturas ligeiras veem-se impotentes, sendo obrigados a recuar, uma vez que apenas veículos todo-terreno (4x4) ou camionetas conseguem enfrentar o caudal.

Este retorno ao passado é ainda mais frustrante para a comunidade se recordarmos a visita do Governador da Matola, Manuel Simão Tule. Na altura, a pompa e as promessas da comitiva oficial geraram uma enorme expectativa nos moradores de Mulotana, que acreditaram estar próximo o fim do calvário. A realidade, porém, mostra que a solução não passou de discurso.

O desfecho deste novo capítulo, no entanto, pode ser ainda mais dramático. De acordo com os moradores, se o ritmo das chuvas se mantiver ou se houver descargas noturnas das barragens dos países vizinhos, a ponte voltará a ser engolida pelas águas. Nesse caso, amanhã, segunda-feira, a população de Mulotana e arredores dificilmente conseguirá transpor o rio Matola, ficando mais uma vez refém da cheia e da falta de uma solução definitiva.

 

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