
Maputo-Sob chuva e no silêncio da noite, o Conselho Municipal de Maputo, através da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem (EMSD), lançou uma operação especial de limpeza para tentar minimizar a aglomeração de resíduos e os maus odores que afectam a capital. A iniciativa surge num contexto de sobrecarga do sistema de saneamento, onde a capacidade máxima de habitantes e serviços tem colocado enormes desafios à gestão do lixo.
Na noite desta sexta-feira, equipas da EMSD foram destacadas para intervir em diversas artérias da cidade, numa tentativa de dar resposta ao colapso na recolha de resíduos. A operação noturna visa não só desafogar o acúmulo diurno, mas também facilitar a logística num trânsito menos intenso. No entanto, a medida paliativa expõe um problema estrutural mais profundo.
De acordo com o Jornal Preto e Branco, a cidade atingiu um patamar crítico: o crescimento populacional e a expansão dos serviços não foram acompanhados por um sistema eficaz de tratamento de lixo. Apesar dos esforços do Conselho Municipal, fontes ouvidas pela reportagem revelam que Moçambique carece de uma política clara e robusta para o tratamento de resíduos sólidos.
Um dos problemas apontados é a falta de controlo no acesso aos contentores e à lixeira Municipal. “O lixo depositado nos contentores acaba, por outras formas, voltando para dentro das nossas casas”, denunciou uma fonte ligada ao sector. Isto acontece, em parte, devido à actuação de catadores informais que reviram os resíduos sem qualquer tipo de fiscalização rigorosa.
A situação é agravada pela perigosidade dos materiais. Como a deposição não é segregada, os contentores acumulam todo o tipo de lixo, incluindo resíduos fora de prazo e potencialmente perigosos, colocando em risco a saúde pública e o ambiente.
Enquanto a operação noturna tenta estancar a crise imediata — combatendo a aglomeração e os cheiros nauseabundos —, especialistas e munícipes concordam que a medida, embora necessária, não resolve a raiz do problema. A falta de uma estratégia nacional integrada para o saneamento básico mantém a cidade num ciclo vicioso: recolhe-se hoje o lixo que, por falta de tratamento adequado e controlo, voltará a ameaçar a comunidade amanhã.
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