
O sistema nacional de saúde de Moçambique poderá enfrentar uma paralisação total nos próximos dias. A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUM) anunciou, em conferência de imprensa realizada em Maputo, que as unidades hospitalares do país poderão ser encerradas durante três dias consecutivos, a partir desta sexta-feira. A medida radical visa pressionar o Governo a reconhecer a greve em curso e agrava a tensão num sector que já registaria mais de mil mortes associadas à falta de assistência desde o início do ano.
O anúncio foi feito pelo presidente da APSUM, Anselmo Muchave, que acusou o Executivo de praticar “desonestidade institucional” ao negar a existência da paralisação. Para Muchave, a postura governamental é uma tentativa de criar uma narrativa de normalidade que não encontra eco na realidade das unidades sanitárias. “Minimizar os impactos da greve e exigir provas de uma crise que é visível constitui um desrespeito aos profissionais e à população que depende dos serviços públicos”, afirmou.
A reação surge na sequência das declarações do Diretor Nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, que colocou em dúvida a efetividade da greve — anunciada e posteriormente prorrogada por 30 dias — alegando que os funcionários continuavam a apresentar-se ao trabalho. Mucopo rejeitou ainda os números apresentados pela associação, que apontavam inicialmente para 725 mortes alegadamente associadas à falta de assistência desde o início da paralisação, em janeiro. Esta semana, a APSUM atualizou o balanço para 1.116 óbitos, um dado que intensifica a gravidade do impasse e eleva a preocupação pública.
Muchave defende que reconhecer a dimensão do problema não significa atacar o Estado, mas sim assumir responsabilidades e enfrentar a crise com transparência. “Negar o colapso do sistema não contribui para a solução”, sublinhou, defendendo a urgência de reformas estruturais e a abertura de um diálogo orientado para resultados concretos. Apesar do endurecimento do discurso, garantiu que as conversações com o Governo prosseguem, embora considere insuficiente a forma como o processo tem sido conduzido.
Num tom firme, Muchave anunciou que, perante o que classifica como inércia governamental, os profissionais irão “dar um fim de semana prolongado” a nível nacional, encerrando as unidades sanitárias durante três dias. A paralisação ocorre no âmbito do segundo período da greve denominada “braços cruzados”, e a associação responsabiliza o Ministério da Saúde pelo agravamento da crise, insistindo que o sistema enfrenta um colapso evidente.
O dirigente sindical apelou ainda à intervenção do Presidente da República, Daniel Chapo, questionando qual é o posicionamento do Chefe de Estado perante relatos que considera divergentes da realidade vivida nos hospitais. Enquanto as negociações prosseguem, cresce a apreensão entre os cidadãos, que temem que o eventual encerramento dos hospitais aprofunde ainda mais a crise no acesso aos cuidados de saúde no país.
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