
Projecto em Tete recebe financiamento americano para estudo que pode colocar país no centro da corrida global por minerais críticos.
Os Estados Unidos estão a apostar em Moçambique para garantir o acesso a minerais essenciais para a sua indústria de defesa e tecnológica. Num contexto de crescente disputa global por recursos estratégicos, a Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA) anunciou hoje o financiamento de um estudo de pré-viabilidade para o projeto de terras raras de Monte Muambe, na província de Tete.
O objectivo é transformar a mina numa alternativa viável e segura às atuais cadeias de fornecimento, hoje fortemente concentradas na China. A informação foi divulgada esta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, em Maputo.
O estudo, que será conduzido por empresas norte-americanas, visa determinar os métodos mais eficientes para a extração e processamento de minerais no local. Para Thomas R. Hardy, Diretor Adjunto da USTDA, o projeto representa mais do que uma parceria comercial: é uma peça-chave na estratégia de segurança nacional dos EUA.
Garantir o acesso a terras raras é essencial para a base industrial de defesa da América e para a nossa vantagem tecnológica. Ao estabelecer uma cooperação no projeto Monte Muambe, estamos a promover as prioridades estratégicas de ambos os países — afirmou.
Para Moçambique, o envolvimento da agência norte-americana representa uma oportunidade de afirmação no mercado global de minerais críticos. O país possui reservas significativas de terras raras, e o desenvolvimento do setor pode gerar emprego, estimular o empreendedorismo local e atrair investimento estrangeiro.
Cedric Simonet, diretor da Monte Muambe Mining Ltda (MMM), empresa moçambicana responsável pelo projeto, destacou o peso do apoio institucional dos EUA.
Este compromisso da USTDA é uma poderosa validação externa da qualidade estratégica e do potencial económico do projeto. Mostra que há um forte interesse de alto nível numa fonte alternativa e segura de terras raras — sublinhou.
O estudo financiado pela USTDA deverá abrir caminho para a obtenção de financiamentos de grande escala e para a futura exportação de carbonato de terras raras mistas para o mercado norte-americano. A construção e operação da mina também deverão envolver empresas dos EUA no fornecimento de equipamentos e assistência técnica.
A iniciativa enquadra-se num conjunto de ordens executivas do governo americano que visam reforçar a produção interna de minerais críticos e reduzir a vulnerabilidade das suas cadeias de abastecimento.
Empresas interessadas em participar na execução do estudo de pré-viabilidade podem submeter propostas através do site oficial da USTDA.
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