Escravidão Moderna em Moçambique: Crianças recrutadas para trabalho na Montepuez Ruby Mining

A exploração infantil atingiu um novo e alarmante patamar na província de Cabo Delgado em que cerca de 300 crianças são forçadas a trabalhar diariamente em condições análogas à escravidão nas minas de rubis da concessionária Montepuez Ruby Mining (MRM), recrutadas por sindicatos internacionais de contrabando e, entre estas crianças, algumas aparentam ter apenas 8 anos que, trocam a escola e a infância por labirintos subterrâneos instáveis, colocando suas vidas em risco a cada minuto.

Quando as equipas de patrulha conjuntas (compostas pela Polícia da República, segurança da MRM e privada) encontram os menores, eles são simplesmente devolvidos ao convívio familiar, perpetuando o ciclo. Recordar que a Montepuez Ruby Mining (“MRM”) emitiu um alerta que, desde o último trimestre de 2025, as incursões na sua área de concessão aumentaram exponencialmente, e “um terço dos invasores são menores de idade”, elucidando que, actualmente, em  média de 1.000 mineiros ilegais detectados diariamente na concessão, dos quais cerca de 300 são crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos.

O crime organizado em torno das pedras preciosas não só ceifa vidas e rouba a infância de centenas de crianças em Montepuez. A situação é ainda mais grave devido aos riscos fatais envolvidos. As crianças descem a poços ilegais por elas mesmas cavados, que chegam a atingir doze metros de profundidade. O perigo se intensifica durante a época chuvosa, quando os solos ficam mais leves e escorregadios. Lá em baixo, realizam escavações horizontais, criando verdadeiros labirintos subterrâneos que podem desmoronar a qualquer momento, com consequências potencialmente fatais.

Para a MRM, " Esses recrutadores aproveitam-se da pobreza e do desemprego, atraindo jovens e suas famílias com a promessa de "fortunas na mineração de rubis". Os jovens recrutados, muitos oriundos de províncias vizinhas como Nampula e Zambézia, ou até de países como a Tanzânia, são frequentemente obrigados a pagar aos sindicatos pela "oportunidade" de trabalhar. O acto monstruoso de enviarem crianças para trabalhar nessas condições é uma violação flagrante dos seus direitos humanos, não só por privá-las da infância e da educação, mas também pela exposição a um perigo mortal extraordinário". Um dos fatores que torna o recrutamento de menores tão atraente para os sindicatos é a lei moçambicana, que não prevê responsabilidade criminal para crianças.

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