Entre avanços na colocação de especialistas e o chumbo na compra de equipamentos

O ano de 2025 expôs um paradoxo no sector da saúde em Moçambique. Enquanto o Governo celebrou o cumprimento integral da meta de colocação de 92 médicos especialistas em áreas críticas, o Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) revela um cenário de estagnação em frentes igualmente estratégicas: a aquisição de equipamentos para 100 unidades sanitárias e a formação de 720 profissionais foram totalmente paralisadas por falta de verbas.

O sector da Saúde voltou a enfrentar sérios constrangimentos em 2025. De acordo com o documento divulgado no mês passado pelo Carta de Moçambique, o Governo não conseguiu cumprir metas consideradas fundamentais para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde (SNS), sobretudo no que diz respeito à alocação de equipamentos médicos, mobiliário hospitalar e formação de profissionais.

A meta previa beneficiar 100 unidades sanitárias em todo o país com novos equipamentos e mobiliário. Contudo, nenhuma unidade recebeu qualquer reforço ao longo do ano. O próprio relatório do PESOE reconhece que o incumprimento resultou da falta de disponibilidade financeira, deixando hospitais e centros de saúde a operar com recursos limitados num contexto já marcado por desafios estruturais.

A situação repete-se no campo da formação profissional. Estava planificada a capacitação de 720 profissionais de saúde, incluindo médicos, técnicos especializados e gestores hospitalares. No entanto, nenhuma formação foi iniciada. Mais uma vez, a ausência de fundos é apontada como o principal obstáculo, comprometendo o reforço de competências num sector que exige actualização contínua.

Se por um lado o cenário é de recuo, por outro, há um dado que contrasta com o panorama de falhas: O Governo conseguiu colocar no mercado 92 médicos especialistas, cumprindo integralmente esta meta. As especialidades abrangem áreas críticas como Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Cirurgia Geral, Medicina Interna, Saúde Pública, Ortopedia e Traumatologia, entre outras, consideradas prioritárias para responder às necessidades da população.

Segundo o balanço, este resultado positivo deveu-se à definição clara de especialidades estratégicas no Plano Nacional de Desenvolvimento de Recursos Humanos 2016-2025, bem como a melhorias na coordenação institucional, gestão dos processos formativos, distribuição de vagas, colocação de formadores qualificados e adequação curricular às exigências nacionais.

No capítulo das infra-estruturas, porém, o cenário volta a ser preocupante. A conclusão e o apetrechamento de sete hospitais distritais previstos para 2025 não foram concretizados, maioritariamente devido à insuficiência orçamental. Também a requalificação de 100 centros de saúde ficou estagnada. Embora a lista de equipamentos e especificações técnicas tenha sido elaborada, o lançamento do concurso público permanece dependente da disponibilidade financeira.

Entre estes avanços e retrocessos, o sector destaca ainda um outro êxito pontual: a aquisição de 29 aparelhos de raio-X, alcançando 100% da meta estabelecida. Os equipamentos foram distribuídos por todas as províncias do país, incluindo o Hospital Central de Maputo, o Hospital Geral de Mavalane, o Hospital Geral José Macamo e o Hospital Geral de Chamanculo.

O retrato de 2025 revela, assim, um sector marcado por metas falhadas e conquistas pontuais. A limitação orçamental continua a ser um dos principais entraves à modernização e ao reforço estrutural do sistema de saúde moçambicano, num momento em que a população exige respostas mais eficazes e serviços de maior qualidade.

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