CFM torna-se a "tábua de salvação" da Matola e Boane

A crise de transporte público em Maputo tem um novo rosto. Com a MetroBus a patinar na regularidade e os custos do transporte privado a pesar no orçamento das famílias, a velha senhora dos trilhos ressurgiu como a principal alternativa. A Automotora dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) que liga a Matola e Boane ao coração da capital tornou-se na solução matinal para milhares de trabalhadores e estudantes. No entanto, o aumento súbito da procura expôs as fragilidades do serviço, que hoje enfrenta o desafio da superlotação e da falta de capacidade para escoar a multidão que, todas as madrugadas, depende dos seus vagões para chegar a tempo ao destino.

Numa altura em que a MetroBus enfrenta a sua pior crise de regularidade, atropelando horários e frustrando os utentes, a população dos distritos municipais da Matola e Boane viu-se forçada a redescobrir um velho conhecido: o comboio. O Jornal Preto & Branco ouviu, esta manhã, vários utentes que partilharam as suas experiências.

Para muitos, a adesão à Automotora foi imediata, quase natural. Primeiro, pelos preços promocionais que a tornaram uma concorrente directa e vantajosa face aos autocarros. Depois, pela eficiência de um serviço que, apesar de algumas falhas iniciais de cobrança, rapidamente se estabeleceu como uma opção fiável. Contudo, o sucesso trouxe um efeito colateral indesejado: a superlotação.

"Ultimamente, o comboio tem circulado completamente cheio. O contacto permanente entre os passageiros e o cobrador é tão intenso que o vagão se transforma num verdadeiro foco para a incubação de doenças respiratórias e infeciosas", alertou um dos passageiros ouvidos pela nossa reportagem.

A situação é agravada pela logística interna. Por exemplo, muitos dos que desembarcam na Machava nem sequer são cobrados, simplesmente porque o cobrador não consegue movimentar-se no meio da multidão para chegar até eles. Esta desorganização, aliada à preocupação com a saúde pública, acendeu o sinal de alerta entre os utentes.

Em resposta a este cenário, os passageiros já têm uma reivindicação clara. Eles propõem que os CFM aumentem a oferta, passando de uma para duas composições no horário das 7:00, saindo da Matola Gare rumo a Maputo. O objectivo é simples: acomodar todos em segurança, garantindo que estudantes e trabalhadores consigam alcançar os seus locais de estudo ou emprego até às 7:30.

É importante lembrar que a Matola se tem afirmado como a cidade dormitório de Maputo, crescendo a olhos vistos devido à expansão residencial provocada pelo elevado custo dos arrendamentos na capital. Nesse sentido, a dinâmica do "colosso" CFM, no âmbito da sua responsabilidade social, deveria acompanhar esta evolução demográfica.

Cientes de que a actual Automotora não pode simplesmente aumentar o número de carruagens, os utentes são unânimes: a única saída viável para acelerar o escoamento de passageiros na hora de ponta seria a alocação de mais um comboio. A pergunta que fica é se os CFM conseguirão responder a este novo desafio logístico antes que a solução se transforme num novo problema.

Veja nossas noticas por categoria

Anuncie

aqui

Conversar

Ligue: +258 845 784 731