
Maputo — Pagar 50 Meticais por uma viagem deveria garantir um mínimo de dignidade e conforto, mas para os utentes da Automotora, que faz a ligação Matola Gare-Maputo, a realidade é bem diferente. Indignados, os passageiros denunciam as enchentes diárias tanto no comboio quanto no autocarro de transfer, transformando o percurso sinuoso, onde viajar de pé se tornou a regra e não a excepção.
A promessa de um serviço de qualidade, compatível com o valor pago (pelo menos 50 Meticais por cada direção), tem-se desmoronado no meio da multidão. De acordo com relatos de passageiros à nossa reportagem, a situação agravou-se nos últimos dias. A Automotora, que opera como concorrente direta da Metro Bus, parece estar a ser sufocada pelo seu próprio sucesso.
Num momento em que a Empresa Metro Bus enfrenta uma crise de avarias, acumulando prejuízos e perdendo clientes, a Automotora surge como a única alternativa para muitos. No entanto, a transportadora tem-se mostrado impotente para dar vazão à procura. "Eles não conseguem albergar toda a gente. A Metro Bus avariou, e quem acaba sofrendo somos nós, que somos empurrados para aqui", desabafou um utente.
A situação é particularmente crítica no troço que envolve os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM). Os passageiros queixam-se de que, tanto no comboio quanto no autocarro com destino ao Xiquelene em particular, a experiência é a mesma: desconforto, falta de lugares para sentar e verdadeiras enchentes.
"Viajo de pé no comboio e chego a fazer o mesmo percurso no autocarro. Pagamos um valor que devia dar direito a respeito e tranquilidade, mas somos tratados com vulnerabilidade. Isto não justifica o dinheiro que pagamos", indignou-se um dos passageiros ouvidos pela nossa reportagem.
Perante o cenário de caos, os utentes não se limitam a criticar; eles apresentam soluções. A principal reivindicação é o aumento do número de carruagens e autocarros para acolher a todos em condições "formidáveis". Além disso, sugerem à transportadora a implementação de um sistema de monitoria e avaliação dos serviços.
"Se houvesse fiscalização e avaliação constante, ambos sairiam a ganhar: a transportadora, que manteria os clientes, e nós, passageiros, que teríamos a viagem que pagamos", concluiu a fonte.
A Automotora enfrenta agora o desafio de gerir a alta procura sem comprometer a qualidade, sob o risco de ver a indignação transformar-se em debandada de clientes.
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