
O processo de confirmação com seguradoras em clínicas privadas de Maputo tem gerado constrangimento e exposição indevida de pacientes. Em voz audível, recepcionistas detalham nome, enfermidade e código do seguro, muitas vezes na frente de outros utentes. A situação, segundo fontes ouvidas pela reportagem, fere a privacidade e dignidade dos usuários, sobretudo em momentos de vulnerabilidade.
De acordo com o relato de uma fonte à nossa reportagem, o atendimento em unidades como a Clínica Care e o Instituto do Coração tem se tornado constrangedor. Isso porque, ao chegar para uma consulta, o paciente vê-se obrigado a ouvir, em voz alta, a recepcionista confirmar com a seguradora não apenas o seu nome, mas também a enfermidade que o levou ao serviço de saúde.
Além disso, a fonte descreveu sentir-se “despida e exposta” ao perceber que outros pacientes escutam detalhes da sua condição clínica. “Penso que a recepção da clínica devia encontrar uma forma mais decente de abordar as seguradoras e os pacientes, sem expor a nossa identidade e as nossas enfermidades”, desabafou.
Por outro lado, a mesma fonte reconhece que os serviços prestados pelas seguradoras têm sido uma mais-valia, especialmente num contexto de dificuldades financeiras. “Gosto de beneficiar dos diferentes serviços, que têm facilitado o acesso às unidades mesmo sem dinheiro”, afirmou. Todavia, assim que chega à clínica, o alívio de ter o atendimento garantido transforma-se em desconforto ao presenciar a chamada em voz audível com todos os detalhes.
A situação ganha contornos ainda mais delicados, tendo em conta que o seu parceiro está em missão de serviço em Cabo Delgado. “Este tipo de serviço tem ajudado a minha família, porque muitas vezes as enfermidades surgem numa altura em que não temos dinheiro para enfrentar os serviços hospitalares condignos, tendo em conta a situação actual do Serviço Nacional de Saúde”, explicou. No entanto, a fonte conclui que, apesar das vantagens, a forma como o processo é conduzido acaba por “esgotar a exclusividade” e expor a sua intimidade de maneira desnecessária.
A reportagem tentou contactar a Clínica Care e o Instituto do Coração para comentar o procedimento, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição. Especialistas em ética médica e protecção de dados lembram que a confidencialidade é um direito do paciente e deve ser garantida mesmo em processos administrativos.

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