Workshop “Mulheres na Conservação” capacita jovens cientistas moçambicanas para liderar a proteção da biodiversidade

A paisagem verdejante do Parque Nacional da Gorongosa guarda segredos que a ciência ainda desvenda. Mas, nesta edição do workshop "Mulheres na Conservação", quem desvenda esses segredos não são apenas os livros, mas as mãos e a inteligência de dezenas de jovens oriundas de diferentes províncias e universidades do país.

Durante vários dias, a sala de formação e os caminhos da mata tornaram-se salas de aula para um grupo de estudantes. Elas não vieram apenas para ouvir; vieram para colocar a mão na terra, literalmente. O workshop, uma iniciativa do Programa de Bio-Educação do Parque, foi desenhado para transformar teoria em prática, mergulhando as participantes nas rotinas diárias dos cientistas que dedicam a vida à monitorização da biodiversidade.

Mas o que faz uma conservacionista? Para estas mulheres, a resposta começou a ser escrita com cadernos de campo e binóculos. Sob a orientação das cientistas residentes da Gorongosa – verdadeiras mentoras – as participantes tiveram a oportunidade única de aprender técnicas essenciais: desde a recolha de dados em campo até à identificação de espécies e monitorização de ecossistemas. Cada pegada encontrada, cada dado registado, foi um passo em direção à autonomia científica.

Para muitas delas, esta não é apenas uma formação; é uma viragem na carreira. "Esta é a oportunidade de adquirir conhecimento para, no futuro, me tornar cientista, líder e guardiã da natureza na minha própria comunidade", confidenciou uma das estudantes, com o olhar fixo na imensidão do parque. A frase ecoa o espírito do projecto, que anualmente abre as portas da Gorongosa para que estudantes universitários realizem os seus projectos de investigação e participem em práticas de campo nas mais diversas áreas.

A aposta da administração do parque é clara e vai além da estatística. Ao investir na educação e capacitação das mulheres, a Gorongosa não está apenas a formar biólogas; está a semear lideranças comunitárias. Acredita-se que a conservação ambiental no país será mais forte e sustentável quando for também liderada por elas.

No final dos dias de formação, as novas cientistas levam consigo muito mais do que técnicas. Levam a certeza de que o futuro da conservação da Gorongosa, e de Moçambique, também está a ser construído por elas.

 

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