Praia da Macaneta

Um Campo de Batalha de Lixo e Caos Após o 25 de Setembro

Após as celebrações do 25 de Setembro, a Praia da Macaneta, na Vila de Marracuene, transformou-se num verdadeiro campo de batalha. Carlos Serra Júnior e a sua equipa de ambientalistas, que se deslocaram ao local para recolher vidro e plástico, depararam-se com uma cena nunca antes vista: a via completamente abarrotada de lixo, vidro partido por todo o lado e um ambiente caótico que impossibilitava qualquer entrada ou saída em caso de emergência.

Segundo o ambientalista, mesmo após a passagem das senhoras catadoras de lixo, a praia continuava repleta de resíduos. "Nunca havia presenciado um fenómeno idêntico antes", afirmou Carlos Serra Júnior. No local, o ambiente era descomunal: não havia um metro quadrado livre, e miúdos e miúdas consumiam álcool a bel-prazer, sem qualquer controlo.

A situação era de tal forma grave que ninguém conseguia entrar ou sair da praia em caso de qualquer emergência. Além disso, havia nadadores-salvadores para prevenir afogamentos e fizeram muito bem seu trabalho para evitar o pior em pessoas maioritariamente movidas pela curtição marginal. O tractor que deveria apoiar a operação de limpeza levou longas horas para alcançar o epicentro do caos.

As viaturas que se encontravam no local deveriam ter sido retidas a montante, o que teria evitado uma onda de furtos e roubos de celulares. Uma senhora, por exemplo, perdeu o contacto com a família porque o seu telemóvel foi furtado.

"Já abordei as autoridades. Não podemos permitir que isto volte a acontecer", sublinhou o ambientalista, que defende a retenção de viaturas a montante como medida preventiva.

Apesar do caos, bons samaritanos depositaram o lixo nos contentores instalados ao longo da praia, graças a projectos que têm apoiado o processo de recolha e requalificação do lixo e tem o sistema instalado no local.

Para Carlos Serra Júnior, é urgente educar as crianças para saber ser e estar na praia. "Esses miúdos são uma consequência do que o governo não tem feito. O fruto proibido sabe melhor, e nós não estamos a actuar nas crianças. O consumo de álcool é uma questão de políticas públicas que devem ser vistas e colocadas à disposição para dissuadir e salvar os miúdos em Moçambique", concluiu.

 

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