Wazimbo e José Mucavele voltam a cantar juntos apos quatro décadas

Um dos momentos mais aguardados da noite aconteceu quando Wazimbo e José Mucavele voltaram a partilhar o mesmo palco, cerca de 40 anos depois de uma ruptura artística. O reencontro, marcado pela interpretação conjunta de Xibomba Xa Romos e Nwahulana, transformou o concerto Tlhangano – O Reencontro   numa celebração da memória e da identidade da música moçambicana.

Realizado pela Associação Karingana Wa Karingana e pela SH Consultoria e Serviços, o concerto Tlhangano – O Reencontro colocou frente a frente duas das maiores referências da música nacional. Durante cerca de quatro horas, Wazimbo e José Mucavele protagonizaram um dos momentos mais simbólicos da história recente da música moçambicana, diante de um público entusiasmado que lotou a sala.

Separados artisticamente durante aproximadamente quatro décadas, na sequência de desavenças ligadas à trajectória musical e, em particular, à música Nwahulana, os dois artistas voltaram a cantar juntos desde os primeiros momentos do espetáculo. José Mucavele iniciou a solo a interpretação de Xigutsa Xa Utome, momento em que Wazimbo surgiu pelo meio do público para se juntar ao canto, antes de regressar ao palco principal.

A partir daí, os dois artistas alternaram momentos a solo e interpretações conjuntas, recuperando um repertório que atravessou várias gerações. O ambiente ganhou particular intensidade quando, já numa fase avançada do concerto, Wazimbo convidou o público a acender as luzes dos telemóveis para acompanhar o regresso à interpretação conjunta de músicas que há muito não cantavam juntos. Seguiram-se Xibomba Xa Romos e Nwahulana, interpretadas em dueto.

A emoção tomou conta da sala, sobretudo por se tratar de uma união artística que muitos dos presentes nunca tinham testemunhado. Wazimbo e José Mucavele, sentados lado a lado em diferentes momentos do espetáculo, recuperaram não apenas canções, mas também uma parte importante da memória da música moçambicana.

O espetáculo foi concebido precisamente a partir dessa dimensão de memória e de transmissão entre gerações. Em determinado momento, Wazimbo destacou que as músicas apresentadas atravessariam várias gerações, justificando a presença de filhos, pais e avós na mesma plateia. José Mucavele, por sua vez, propôs um brinde simbólico à amizade, à memória e à música moçambicana, num momento justificado por muita dança e canto, com particular ênfase nas músicas Balada para as Minhas Filhas e Sapateiro.

 

A viagem pelo repertório nacional não ficou, contudo, limitada aos dois protagonistas. O concerto contou com participações especiais da Banda Ghorwane, Xixel Langa, Tchakaze, Alvim Cossa, além dos humoristas Eduh All Talents e Borges Macuácua e do DJ Elísio, que contribuíram para uma programação diversificada, combinando música, poesia, humor e performance.

 

Xixel Langa e Tchakaze assumiram, numa das fases de maior interacção do espectáculo, a missão de revisitar sucessos de diferentes gerações da música moçambicana. Num formato de disputa artística, mas marcado pela cumplicidade, as duas intérpretes alternaram canções conhecidas do público, incluindo Mulher Tem Força, Mahungo, Nikazalile Nkata, Josua, Likirikita e Lirandzo. A proposta permitiu fazer uma espécie de mapa musical do país através de canções de diferentes artistas e épocas. No segundo bloco, a viagem pelo repertório moçambicano prosseguiu com Nikome Nkata, Felismina, Xikongolotana e Sibosise, antes da reunião dos artistas e das equipas no palco para a vénia final.

Outro momento de destaque foi a participação de Alvim Cossa, responsável por uma declamação poética na abertura, seguida de uma intervenção coreográfica do Grupo Xindiro.

A componente humorística esteve a cargo de Eduh All Talents e Borges Macuácua, que abriram o espetáculo numa disputa encenada pelo microfone. Através do diálogo entre os dois, foram recuperadas histórias e referências ligadas à trajetória de Wazimbo, José Mucavele e outros nomes da música moçambicana, criando uma introdução descontraída para uma noite dominada pela memória e pela identidade cultural.

O próprio conceito do espetáculo procurou aproximar a música do público. A encenação incluiu uma extensão do palco instalada no meio da plateia, permitindo entradas e momentos musicais junto dos espectadores e criando uma relação mais próxima entre artistas e público.

 

Depois dos diferentes momentos protagonizados por Wazimbo, José Mucavele, Xixel Langa e Tchakaze, coube à Banda Ghorwane encerrar a componente de actuações ao vivo. Com o seu repertório, a banda colocou a sala de pé, levando o público a cantar e dançar e prolongando o ambiente de celebração que marcou toda a noite.

O concerto contou ainda com uma presença institucional de elevado significado. Entre os convidados esteve o Presidente da República de Moçambique, acompanhado pela Ministra da Educação e Cultura, pelo Presidente do Município de Maputo e outros quadros da estrutura governamental moçambicana, que testemunharam de perto o reencontro entre duas figuras incontornáveis da música nacional.

Durante aproximadamente quatro horas, Tlhangano – O Reencontro fez do palco um lugar de reconciliação artística e de celebração da memória colectiva. Mais do que juntar novamente Wazimbo e José Mucavele, o concerto procurou recuperar repertórios, histórias e referências que ajudaram a construir a identidade musical moçambicana, colocando diferentes gerações de artistas e público no mesmo espaço.

Promovido pela Associação Karingana Wa Karingana e SH Consultoria e Serviços, o concerto transformou, assim, uma antiga separação num novo capítulo da história da música moçambicana. Décadas depois de uma ruptura artística, Wazimbo e José Mucavele voltaram a cantar juntos diante de uma plateia que acompanhou, entre aplausos e emoção, aquilo que durante muitos anos parecia pertencer apenas à memória.

 

Veja nossas noticas por categoria

Anuncie

aqui

Conversar

Ligue: +258 845 784 731