
Quarenta e sete alunos da Escola Comunitária Santa Montanha, no distrito de Marracuene, província de Maputo, foram assistidos em unidades sanitárias após a exposição a um spray paralisante accionado por um estudante dentro da sala de aulas. Seis alunos permanecem sob observação médica, mas encontram-se fora de perigo.
O incidente ocorreu durante o período lectivo e gerou momentos de pânico entre estudantes, professores e funcionários da escola. Segundo informações avançadas pela direcção da instituição, uma aluna levou para a escola um spray paralisante pertencente à sua tia e guardou-o na pasta sem informar os responsáveis do estabelecimento.
Em circunstâncias ainda sob averiguação, um colega retirou o objecto da pasta e accionou o dispositivo no interior da sala de aulas. Testemunhas relatam que o estudante pretendia fazer uma brincadeira com os colegas por ocasião do seu aniversário, sem ter consciência dos riscos associados ao produto.
Poucos instantes após a pulverização do spray, vários alunos começaram a sentir dificuldades respiratórias, ardor nos olhos, tonturas e mal-estar generalizado. O ambiente tornou-se rapidamente impróprio para a permanência dos estudantes, obrigando à evacuação da sala e ao accionamento dos serviços de emergência.
Perante a gravidade da situação, os alunos afectados foram encaminhados para unidades sanitárias da região, onde receberam assistência médica. O balanço oficial aponta para 47 estudantes afectados pelo gás libertado pelo spray.
A direcção da Escola Comunitária Santa Montanha confirmou a ocorrência e garantiu que a situação foi prontamente controlada graças à intervenção de professores, profissionais de saúde e outros agentes envolvidos na resposta à emergência.
Dos alunos assistidos, a maioria recebeu alta após observação médica. Apenas seis continuam internados para acompanhamento clínico, embora os profissionais de saúde assegurem que o seu estado não inspira cuidados de maior e que a evolução é favorável.
O caso provocou preocupação entre encarregados de educação e membros da comunidade escolar, que defendem o reforço dos mecanismos de controlo à entrada das escolas e a intensificação de campanhas de sensibilização sobre os riscos associados ao transporte e manuseamento de objectos potencialmente perigosos.
A proprietária do spray, tia da aluna que o levou para a escola, deslocou-se ao estabelecimento de ensino após tomar conhecimento do sucedido. Segundo informações recolhidas no local, explicou que utiliza o equipamento para defesa pessoal devido aos horários nocturnos em que regressa a casa.
Entretanto, as autoridades educativas e competentes acompanham o caso com vista ao esclarecimento completo das circunstâncias do incidente e à adopção de medidas que evitem a repetição de situações semelhantes nos estabelecimentos de ensino.
O episódio reacende o debate sobre a segurança nas escolas e a necessidade de reforçar a educação dos estudantes sobre as consequências de actos aparentemente inofensivos, mas que podem colocar em risco a saúde e a integridade física de dezenas de pessoas.

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