
A maior apreensão de drogas pesadas do ano em Moçambique foi descoberta onde menos se esperava: dentro de frascos de produtos cosméticos. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) interceptou, entre os dias 1 e 11 de Agosto, um carregamento de 1,4 toneladas de fentanil no Terminal de Cargas do Aeroporto de Maputo, num esquema que ligava o Brasil, Angola e Moçambique. Um jovem de 31 anos, que tentava levantar a mercadoria, foi detido, e as autoridades prometem intensificar a caça às redes que tentam transformar o país numa rota do narcotráfico.
Não eram cremes faciais, nem loções hidratantes. Dentro de 207 caixas, camuflados em frascos de cosméticos, viajaram do Brasil para Moçambique mais de uma tonelada de morte em pó – o fentanil, um opioide 50 vezes mais potente que a heroína, que chegou a Maputo em três levas, como se fosse uma encomenda qualquer.
A operação, conduzida pelo SERNIC, culminou com a apreensão de 1,4 toneladas da substância ilícita no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de Maputo. A droga não veio sozinha. Aterrou em três momentos distintos: nos dias 1, 6 e 11 de Agosto, sempre com a mesma assinatura logística – proveniente do Brasil, com escala em Angola e destino final à capital moçambicana.
No entanto, o plano dos traficantes esbarrou na inteligência criminal moçambicana. Quando um cidadão nacional de 31 anos se apresentou para reclamar a “carga de beleza”, foi imediatamente detido pelas autoridades, que já monitoravam o movimento suspeito.
Para o SERNIC, esta apreensão é mais do que um número impressionante – é um aviso. “Estamos firmes contra o crime!”, sublinha a instituição em comunicado, frisando que esta operação representa “mais um ganho contra o crime organizado” e reafirma a determinação em neutralizar “todo tipo de bandidos”.
Esta não é a primeira vez que o aeroporto de Maputo é palco de uma descoberta semelhante. O modus operandi e a origem da droga são praticamente gémeos de uma apreensão anterior, o que levanta um alerta vermelho: as rotas do tráfico estão a consolidar-se no país, e os criminosos estão a inovar na logística de camuflagem.
Agora, as autoridades prometem aprofundar as investigações para chegar aos mandantes do esquema, enquanto a droga apreendida segue para perícia e o detido aguarda os trâmites legais. O recado já foi dado – mas a guerra contra o narcotráfico está longe do fim.

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