
Maputo, 12 Junho 2026 – Realizada nos dias 11 e 12 de Junho, em Maputo, a RENMOZ 2026 – 5.ª Conferência Empresarial Renováveis em Moçambique, destacou que a transição energética no país exige a mobilização de investimento, a participação activa do sector privado e a transformação de oportunidades em projectos concretos no terreno.
A RENMOZ 2026 reforçou o seu papel como plataforma de articulação entre o sector público, o sector privado e os financiadores, num momento em que Moçambique procura acelerar o acesso universal à energia, expandir a capacidade de geração e transmissão, dinamizar soluções fora da rede e consolidar-se como um mercado estratégico para as energias renováveis.
A conferência reuniu representantes do Governo, instituições públicas, empresas, investidores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento, numa edição marcada por anúncios, acordos e oportunidades concretas de investimento para o sector energético moçambicano.
Com mais de 500 participantes, de 18 nacionalidades, e 30 reuniões, a RENMOZ 2026 confirmou a crescente mobilização em torno do sector. A participação empresarial assumiu particular destaque, representando 45% dos participantes, seguida pelo Governo e instituições moçambicanas, com 39%, e pelas instituições financeiras, com 10%.
Na sessão de abertura, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique, Estevão Pale, sublinhou a importância das energias renováveis para acelerar o acesso à energia no país e responder aos desafios climáticos. “Alcançar o acesso a energia, industrializar o país, gerar emprego e aumentar a competitividade da economia implicam grandes investimentos, e para os alcançar o sector privado ocupa um lugar central na nossa visão para o país”, afirmou Estevão Pale.
A mesma mensagem foi reforçada por Ronald Münch, Embaixador da República Federal da Alemanha em Moçambique, que destacou a importância das parcerias e da abordagem Team Europe para acelerar a implementação de projectos. “O foco desta agenda da RENMOZ é passar da oportunidade à implementação concreta, e as parcerias são fundamentais para isso. A Alemanha, enquanto parte da Team Europe, está empenhada em aproximar todos os actores do sector energético, de forma a acelerar a concretização de projectos no terreno”, afirmou o diplomata.
“A AMER acredita que o melhor de Moçambique está ainda à nossa frente. A AMER estará sempre ao lado de quem trabalha para fazer este sector avançar”, apontou, por seu lado, Ricardo Pereira, Presidente da AMER, reforçando a confiança no potencial do sector energético moçambicano.
Para Mayra Pereira, Presidente da ALER, a RENMOZ assume-se como um espaço de decisão e continuidade, onde o diálogo deve gerar resultados concretos. “A RENMOZ existe para criar as condições para que as decisões aconteçam, para que as conversas continuem depois da conferência, para que os actores certos se encontrem e para que a confiança necessária ao investimento seja construída”, afirmou.
Entre os principais anúncios do primeiro dia esteve a apresentação do PROMIR-MZ, bem como o anúncio do lançamento de um concurso para mini-redes no segundo semestre de 2026. Foi também assinado o Subsidiary Agreement – PURE, anunciados os progressos do programa PROLER, e assinado o acordo de financiamento da ElectriFI à Source Energia, destinado a apoiar a mobilização de capital para projectos de energias renováveis em Moçambique.
A RENMOZ 2026 ficou também marcada pela apresentação da 5ª edição do “Resumo: Renováveis em Moçambique”, publicação que sistematiza os principais dados, avanços, desafios e oportunidades do sector. O documento confirma o forte potencial do país, num contexto em que a taxa de electrificação atingiu 66,4% em 2025, com a meta de alcançar o acesso universal até 2030.
A capacidade instalada deverá mais do que triplicar, passando de cerca de 2,9 GW em 2025 para cerca de 9,5 GW em 2032, mantendo-se as energias renováveis como componente dominante da geração eléctrica.
A necessidade de mobilização de capital permanece, contudo, central. A Estratégia de Transição Energética estima necessidades de financiamento de 18,6 mil milhões de dólares até 2030 e superiores a 80 mil milhões de dólares até 2050. Entre 2013 e 2024, foram investidos 755 milhões de dólares em energias renováveis em Moçambique, mas apenas 20% tiveram origem no sector privado, evidenciando a importância de instrumentos de mitigação de risco, financiamento estruturado e maior envolvimento de investidores privados.
As sessões de negócio permitiram apresentar oportunidades concretas em geração, transmissão, mini-redes, usos produtivos de energia e cozinha limpa. A EDM destacou 16 projectos de geração e 11 projectos de transmissão, num volume superior a 4,6 mil milhões de dólares. A HCB apresentou projectos estratégicos, incluindo a Nova Central Norte, de 1.245 MW, uma central solar de 400 MW e a modernização da Central Sul, num conjunto de oportunidades superior a 3,1 mil milhões de dólares.
No domínio das mini-redes, foram igualmente destacadas oportunidades associadas a sete pré-clusters, 100 locais e nove potenciais usos produtivos de energia, reforçando a importância das soluções fora da rede para acelerar o acesso à energia nas zonas rurais e apoiar actividades económicas locais.
No segundo dia, a conferência contou com sessões dedicadas ao desbloqueio de investimento para um crescimento energético inclusivo em Moçambique, à cooperação regional em energia nos países da CPLP e à simulação de uma sala de negócios. Destaque, ainda, para o Seminário Nacional de Biocombustíveis 2026, organizado pelo MIREME com apoio técnico da GreenLight Africa. O seminário procurou passar da política à implementação, discutindo dinamização do mercado, mobilização de investimento, coordenação institucional, financiamento, infra-estruturas, logística e desenvolvimento da cadeia de valor dos biocombustíveis.
Organizada pela Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) e pela ALER, em parceria com o programa europeu GET.invest, financiado pela União Europeia e pela Alemanha, a RENMOZ 2026 beneficiou do apoio das autoridades moçambicanas, da União Europeia e de vários parceiros internacionais, no âmbito da abordagem Team Europe, bem como a parceria estratégica da SNV.
Num momento em que Moçambique procura acelerar o acesso universal à energia, reforçar a sua capacidade de geração e transmissão, dinamizar o sector fora da rede e consolidar-se como polo regional de energia, a RENMOZ 2026 afirma-se como uma plataforma-chave para ligar visão estratégica, financiamento e implementação.

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