
O sonho de uma vida melhor no estrangeiro tem-se transformado num pesadelo para dezenas de moçambicanos, que estão a ser vítimas de esquemas de recrutamento ilegal para países como a República Centro-Africana e Portugal. Perante esta crescente onda de enganos, o Governo moçambicano reforça o alerta e apela à verificação institucional de todas as ofertas de trabalho internacional.
Desde o ano passado, o Executivo tem reiterado um apelo urgente aos cidadãos: sempre que lhes sejam prometidas oportunidades de emprego além-fronteiras, devem comunicar de imediato às autoridades locais. De acordo com o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em conferência de imprensa, esta pratica visa justamente permitir que o Governo acione os canais diplomáticos e averigue, junto dos países visados, a legalidade e a veracidade das propostas.
Impissa foi claro ao afirmar que "não há problema algum em procurar trabalho no exterior"; no entanto, sublinhou que o essencial é que essas oportunidades sejam devidamente partilhadas e, acima de tudo, sancionadas pelas entidades moçambicanas competentes. Dessa forma, enquadra-se o processo no âmbito do quadro diplomático, o que possibilita avaliar se o recrutamento é legal ou não, prevenindo, assim, casos graves de tráfico humano e a utilização ilegal de mão-de-obra nacional.
A este propósito, Impissa revelou que o Governo já está em contacto permanente com a Secretária de Estado para os Assuntos no Exterior, que se mantém no encalço desta situação na República Centro-Africana, numa tentativa de localizar e proteger os cidadãos envolvidos.
Contudo, este não é um caso isolado. O porta-voz admitiu que existem outros moçambicanos que assinaram falsos contratos de trabalho com destino a Portugal e que, neste momento, se encontram "à deriva" naquele país europeu, uma vez que o Governo português não reconhece a validade dos documentos apresentados.
Na mesma ocasião, Inocêncio Impissa abordou ainda a situação dos moçambicanos expatriados na vizinha África do Sul, especialmente no contexto dos surtos de xenofobia. Para estes cidadãos, o Governo moçambicano tem disponibilizado acolhimento e apoio à reintegração. Neste âmbito, o Instituto de Formação Profissional está a certificar todos os retornados que possuem qualificação profissional adquirida ao longo de anos de experiência laboral.
Segundo o porta-voz, esta certificação tem um valor internacional, o que garantirá maior credibilidade e reconhecimento a cada trabalhador em diferentes áreas profissionais, facilitando, assim, a sua recolocação no mercado de trabalho, seja dentro ou fora do país.
O alerta do Governo é inequívoco, as oportunidades no estrangeiro são legítimas e desejáveis, mas só são seguras quando passam pelo crivo da cooperação diplomática. Enquanto isso, as equipas governamentais continuam a trabalhar no resgate dos moçambicanos enganados e na valorização daqueles que regressam, para que a experiência vivida não se traduza apenas em perda, mas também em novas oportunidades com garantias legais.

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