
Após meses de espera e de profunda dor para familiares e amigos, o Tribunal Judicial da Província de Maputo condenou os seis indivíduos envolvidos no brutal assassinato do taxista por aplicativo Egas Júlio Bié a penas que variam entre 21 e 28 anos de prisão. A decisão judicial encerra um processo que mobilizou a atenção pública devido à violência do crime e às circunstâncias cruéis em que a vítima perdeu a vida.
Na leitura da sentença, o tribunal considerou provado que o crime foi cuidadosamente planeado pelo principal arguido, Arlindo, que utilizou a plataforma de transporte para solicitar uma corrida com o objectivo de atrair a vítima para uma emboscada. Segundo os elementos apresentados durante o julgamento, o arguido actuou em coordenação com outros membros do grupo, tendo organizado e liderado a operação criminosa que culminou com a morte do taxista.
Pelo seu papel determinante na planificação e execução do crime, Arlindo foi condenado à pena máxima de 28 anos de prisão. Os restantes membros da quadrilha receberam penas entre 21 e 27 anos, em função do grau de envolvimento e da responsabilidade individual apurada pelo tribunal.
Durante o julgamento, ficou igualmente provado que três dos condenados participaram directamente na tortura e assassinato de Egas Bié. O tribunal concluiu que os arguidos agiram com extrema violência e sem qualquer demonstração de arrependimento, submetendo a vítima a momentos de sofrimento antes de lhe retirarem a vida.
O homicídio ocorreu em Outubro de 2025, no município da Matola. Na altura, Egas Júlio Bié, de 35 anos, encontrava-se a trabalhar como motorista de transporte por aplicativo, actividade que exercia para garantir o sustento da sua família.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), os criminosos solicitaram uma viagem através da plataforma digital e, durante o percurso, renderam o motorista. A vítima foi posteriormente levada para um local isolado, onde foi torturada e assassinada.
Dias depois, o corpo de Egas Bié foi encontrado abandonado, com as mãos e os pés amarrados, revelando sinais de violência extrema. As imagens e informações divulgadas na altura causaram consternação entre os cidadãos e levantaram preocupações sobre a segurança dos motoristas de transporte por aplicativo.
A viatura utilizada pela vítima foi roubada pelos criminosos e colocada à venda numa tentativa de obter ganhos financeiros. Contudo, o trabalho investigativo do SERNIC permitiu localizar os suspeitos e reunir provas que sustentaram a acusação apresentada pelo Ministério Público.
Para além dos autores do homicídio, o tribunal responsabilizou criminalmente os indivíduos envolvidos na comercialização da viatura roubada. Conhecidos popularmente como “nhonguistas”, estes foram considerados parte integrante da cadeia criminosa por terem participado na negociação e venda do bem obtido através do crime.
Segundo a decisão judicial, a actuação destes indivíduos contribuiu para a ocultação dos vestígios do homicídio e para a obtenção de benefícios económicos resultantes da actividade criminosa.
A leitura da sentença foi acompanhada por familiares da vítima, que receberam a decisão com emoção e sentimento de alívio. Embora reconheçam que nenhuma condenação poderá compensar a perda sofrida, os familiares afirmaram que a punição dos responsáveis representa um acto de justiça e um importante reconhecimento do sofrimento vivido desde o desaparecimento e morte de Egas Bié.
“Perdemos um filho, um irmão, um pai e um trabalhador honesto. A sentença não o trará de volta, mas pelo menos os culpados responderão pelos seus actos”, afirmou um familiar após o encerramento da sessão.
Colegas de profissão também consideraram a decisão um marco importante no combate à criminalidade contra motoristas de transporte por aplicativo, defendendo medidas mais eficazes para garantir a segurança dos profissionais do sector.
O assassinato de Egas Bié permanece como um dos casos criminais mais marcantes registados recentemente na Matola. A forma como o crime foi planeado e executado expôs a vulnerabilidade dos profissionais que trabalham diariamente no transporte de passageiros e reacendeu o debate sobre a necessidade de reforçar mecanismos de protecção e rastreamento para motoristas.
Com a condenação dos envolvidos, as autoridades consideram encerrada a fase judicial do processo. Contudo, para a família e para aqueles que acompanharam o caso desde o início, a memória de Egas Bié continuará viva como símbolo da luta por justiça e da necessidade de combate permanente à criminalidade violenta no país.

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