Governo anuncia novas detenções no processo de reestruturação da LAM até 2032

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, revelou recentemente que mais detenções poderão ocorrer no âmbito das investigações a irregularidades que têm vindo a comprometer a situação económica, financeira e a imagem da empresa pública Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

Segundo o governante, as medidas decorrem de um processo de responsabilização baseado nos resultados de uma auditoria forense realizada em 2025, a qual identificou diversas práticas ilícitas acumuladas ao longo de vários anos. De acordo com Matlombe, os problemas detectados não são recentes e reflectem uma cultura de gestão marcada por falta de intervenção firme por parte de administrações anteriores.

O ministro explicou que muitos dos gestores que passaram pela empresa tiveram conhecimento das irregularidades, mas não demonstraram “coragem” para interromper os esquemas lesivos aos interesses do Estado. “Estamos agora a fazer o esforço de cortar com essas práticas”, afirmou, sublinhando o compromisso do Governo em restaurar a legalidade e a transparência na gestão da companhia.

Entre as irregularidades identificadas, destacam-se pagamentos efectuados a diversas empresas que, alegadamente, nunca chegaram a prestar serviços à LAM. Estas situações estão agora a ser analisadas pelas autoridades competentes, cabendo ao Ministério Público de Moçambique conduzir os processos de responsabilização criminal e proteger os interesses do Estado.

No âmbito deste processo, o Administrador Executivo do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), Raimundo Matule, esclareceu que as detenções fazem parte de uma estratégia mais ampla de reestruturação da empresa, com horizonte até 2032. Segundo explicou, trata-se de um plano dividido em três fases: uma fase inicial de emergência, actualmente em curso, seguida de uma fase de estabilização e, por fim, uma etapa de desenvolvimento e expansão.

 

Matule garantiu que a responsabilização dos envolvidos em actos ilícitos é um passo fundamental para a recuperação da LAM, defendendo que o saneamento interno permitirá transformar a companhia numa empresa sustentável do ponto de vista económico e financeiro.

As primeiras detenções no âmbito deste processo ocorreram a 26 de Fevereiro deste ano, conduzidas pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC). Entre os detidos, destaca-se João Carlos Pó Jorge, que liderou a empresa durante cerca de seis anos e é suspeito de envolvimento em crimes de má gestão, peculato e corrupção.

Foram igualmente detidos Hilário Tembe e Eugénio Mulungo, ambos associados à gestão operacional e financeira da companhia. Um quarto alto executivo também se encontra sob custódia, embora a sua identidade ainda não tenha sido oficialmente divulgada pelas autoridades.

O processo em curso representa uma das mais profundas tentativas de reestruturação da LAM nos últimos anos, num contexto em que o Governo procura recuperar a credibilidade da empresa e garantir a sua viabilidade a longo prazo, num sector estratégico para o desenvolvimento económico e a mobilidade no país.

 

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