
A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) veio a público admitir, com arrependimento, ter aceitado o pacote de subsídios proposto pelo Governo para mitigar o impacto da subida dos combustíveis. Contudo, passadas várias semanas, a realidade nos bolsos dos operadores continua a ser outra.
É que, segundo a própria federação, mais de metade dos cerca de 5 mil transportadores da região metropolitana de Maputo ainda não recebeu qualquer compensação – o que, por si só, tem alimentado um crescente mal-estar no sector.
Perante este cenário, a FEMATRO defende, agora que a decisão mais acertada teria sido, desde o início, a revisão da tarifa do transporte público. E explica: enquanto os subsídios, tal como foram desenhados, beneficiam apenas uma fatia dos operadores, a revisão tarifária garantiria, ao menos, um tratamento igualitário para todos.
Aliás, a federação faz questão de sublinhar que nunca pediu subsídios ao Governo; pelo contrário, sempre reivindicou uma solução estrutural que assegurasse equilíbrio financeiro e sustentabilidade a longo prazo para o sector.
Recorde-se que a actual crise teve o seu ponto fulcral nos pesados aumentos dos preços dos combustíveis, que desencadearam uma greve dos transportadores em Maputo e arredores, incluindo a Matola. Na altura, o descontentamento traduziu-se numa paralisação total e numa “greve silenciosa” dos semi-colectivos – vulgo “chapas” – com operadores a imobilizarem viaturas e a bloquearem estradas principais, num esforço claro de forçar o Governo a reajustar a tarifa.
Agora, com os subsídios a revelarem-se insuficientes e mal distribuídos, a FEMATRO volta a exigir uma mesa de negociação que reponha a justiça no transporte público – antes que a indignação se transforme, novamente, em bloqueios.

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