
Com uma encenação minimalista, mas de grande intensidade dramática, os estudantes Delfim Gatoma e Hermelinda Zimba, do 4.º ano do curso de Licenciatura em Teatro da Escola de Comunicação e Artes (ECA), conquistaram o prémio de Melhor Produção Teatral na primeira edição do Festival Africano de Teatro Universitário, realizado na Argélia. A dupla arrebatou o júri com a peça Neo, Três Painéis de Apocalipse, do dramaturgo francês Jean Pierre Sarrazac, superando as expectativas e os desafios logísticos para levar o nome de Moçambique ao pódio.
O evento, que decorreu nos dias 13 e 20 de Julho, no segundo maior teatro da cidade argelina, reuniu especialistas e docentes vindos do Sudão, Togo, Níger e de diversas universidades da Argélia. Para a ECA, a participação representou um marco importante, uma vez que a exibição da peça Neo, Três Painéis de Apocalipse foi o culminar de um esforço coletivo que superou as limitações de tempo e recursos.
Nesse sentido, a equipa optou por uma cenografia simples, mas extremamente funcional, que se revelou a escolha acertada. Sob a direção do docente Dadivo José, os actores concentraram-se na performance para transmitir o estado de fragmentação e desorientação das personagens. Para tal, o encenador recorreu a técnicas inovadoras de montagem e desmontagem de cenários, ultrapassando os métodos convencionais de concepção espacial e combinando, com vivacidade, a funcionalidade da performance com a profundidade da encenação.
Como resultado, o espetáculo foi unânime na avaliação do júri, que destacou a criatividade e a entrega dos actores. No momento da entrega do prémio, Delfim Gatoma e Hermelinda Zimba expressaram a sua profunda gratidão, enfatizando que a distinção simboliza o apoio incondicional concedido pelos encenadores, técnicos e pela própria instituição de ensino.
Por seu turno, o anfitrião do evento sublinhou a importância da iniciativa no fomento das artes performativas em África. Tendo dito que o festival não só estimula a criatividade, como também valoriza o teatro académico enquanto poderoso meio de reflexão, educação e contributo social, já que as peças apresentadas interpretam fenómenos contemporâneos nas esferas social, ambiental, política e tecnológica.
Assim, o Festival Africano de Teatro Universitário arranca com chave de ouro na sua primeira edição, consolidando-se como uma plataforma vital para a promoção e valorização das artes cénicas no contexto académico e provando que o talento moçambicano tem um lugar de destaque no panorama cultural do continente.

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