
A subida do nível das águas do rio Nguluzane, na cidade de Xai-Xai, está a colocar em risco a circulação rodoviária na Estrada Nacional Número Um (N1), uma das principais vias de ligação do país. O alerta foi emitido pela Administração Nacional de Estradas (ANE), que não descarta a possibilidade de interrupção total ou parcial do trânsito a qualquer momento.
De acordo com a ANE, o aumento do caudal do rio Nguluzane está a pressionar a estrutura da ponte localizada sobre o curso de água, obrigando à realização de trabalhos de manutenção de carácter urgente. As intervenções visam prevenir fenómenos de infraescavação um processo de erosão na base da infra-estrutura e garantir a segurança dos utentes, num cenário marcado pela intensificação das chuvas na região sul de Moçambique.
Durante a execução das obras, o tráfego poderá ser condicionado, passando a circular de forma alternada numa única faixa. Em situações mais críticas, não está excluída a interrupção temporária da via, o que poderá afectar significativamente o fluxo de pessoas e bens ao longo da N1.
A situação actual surge poucos dias depois de interrupções recentes na mesma região. Na semana passada, o trânsito esteve suspenso durante várias horas devido a danos provocados pelas cheias que atingiram o sul e centro do país no início do ano. As autoridades mantêm o nível máximo de alerta na cidade de Xai-Xai, onde pelo menos dez bairros continuam inundados, afectando mais de seis mil famílias.
Enquanto isso, no distrito de Chókwè, a crise ganha contornos ainda mais preocupantes. Populações afectadas pela segunda vaga de cheias denunciam a precariedade dos meios de travessia disponíveis, alertando para os riscos associados ao uso de embarcações improvisadas.
Segundo relatos locais, muitas das canoas utilizadas apresentam infiltrações e não reúnem condições mínimas de segurança. Ainda assim, são o único recurso disponível para a travessia de zonas inundadas, sendo frequentemente sobrecarregadas com até oito pessoas por viagem, além de quantidades significativas de produtos alimentares. Em alguns casos, os operadores cobram até 50 meticais por travessia, um valor considerado elevado para famílias já fragilizadas.
Sem alternativas seguras e sem apoio suficiente por parte das autoridades, muitos cidadãos acabam por arriscar a própria vida, atravessando áreas inundadas a pé, expondo-se a correntes fortes e outros perigos associados às cheias.
A situação foi levada ao conhecimento da Governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, que reconheceu os desafios enfrentados pelas comunidades. Em resposta, garantiu que está prevista, para os próximos dias, a disponibilização de uma embarcação destinada a apoiar o transporte das populações afectadas, embora não tenha avançado uma data concreta para a sua chegada.
Num contexto em que as chuvas persistem e os níveis dos rios continuam elevados, cresce a preocupação quanto à evolução da situação, tanto ao nível da mobilidade como das condições de vida das populações. A conjugação entre infra-estruturas fragilizadas, resposta limitada e aumento do número de afectados coloca pressão adicional sobre as autoridades, que enfrentam o desafio de garantir segurança, assistência e soluções duradouras para mitigar os impactos das cheias na região.

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