
A Associação dos Médicos de Moçambique (AMM) manifestou profunda preocupação com a situação dos profissionais de saúde no país, alertando para a permanência de mais de 600 médicos recém-formados fora do Sistema Nacional de Saúde (SNS), numa altura em que várias unidades sanitárias enfrentam escassez de recursos humanos.
Segundo a organização, a falta de enquadramento destes profissionais representa um sério desafio para o fortalecimento dos serviços de saúde, sobretudo nas zonas rurais e periféricas, onde a carência de médicos continua a afectar o acesso da população aos cuidados médicos.
A AMM considera contraditório que centenas de médicos concluam a sua formação e permaneçam sem colocação, enquanto hospitais e centros de saúde registam insuficiência de pessoal clínico para responder à crescente procura por serviços de saúde.
De acordo com a associação, muitos destes jovens profissionais enfrentam dificuldades económicas e incertezas quanto ao futuro das suas carreiras, após anos de formação académica exigente. Alguns aguardam há vários meses por concursos públicos ou mecanismos de integração no aparelho do Estado.
“Estamos perante uma situação preocupante. O país precisa de mais médicos nos hospitais e centros de saúde, mas centenas de profissionais continuam sem oportunidade de exercer a profissão no sector público”, refere a associação em comunicado.
A organização defende a necessidade de uma estratégia nacional que permita absorver os médicos formados pelas diferentes instituições de ensino superior, garantindo o aproveitamento dos recursos humanos disponíveis e melhorando a qualidade da assistência médica prestada à população.
Entretanto, especialistas da área da saúde alertam que a insuficiência de profissionais continua a ser um dos principais entraves ao funcionamento eficiente das unidades sanitárias. Em várias províncias, os utentes enfrentam longos períodos de espera para consultas, sobrecarga dos profissionais em serviço e limitações na cobertura médica.
A Associação dos Médicos de Moçambique apela ao Governo para acelerar os processos de contratação e criar condições para a integração dos recém-formados, sublinhando que o investimento na formação de médicos deve ser acompanhado por políticas eficazes de recrutamento e retenção de quadros.
Num contexto em que o país continua a enfrentar desafios no sector da saúde, a organização considera que a valorização dos profissionais e a sua inclusão no Sistema Nacional de Saúde são medidas fundamentais para garantir um atendimento mais eficiente e próximo das comunidades.

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