
Num debate online ("Live") recente, Venâncio Mondlane, líder do Partido ANAMOLA, lançou um questionamento incisivo sobre a gestão de fundos de recuperação de desastres em Moçambique ao longo das últimas cinco (v) décadas. O político traçou uma linha temporal de tragédias e donativos, pondo em causa a aplicação do dinheiro.
Mondlane começou por recordar as Cheias de 2000, um desastre nacional que ficou marcado pelo resgate simbólico da bebé Rosita em memoria, nascida numa árvore. Na ocasião, Moçambique solicitou e beneficiou de um apoio internacional de 450 milhões de dólares para a reconstrução.
Avancemos para 2013, ano em que cheias provocaram 119 mortos. De acordo com o líder da ANAMOLA, o país voltou a "esticar a mão" à comunidade internacional, solicitando 250 milhões de dólares para a recuperação.
No entanto, foram os ciclones Idai e Kenneth, em 2019, que causaram a maior tragédia, com um balanço de cerca de 1300 mortos. Para fazer face à devastação, Moçambique pediu um montante sem precedentes: 3,2 biliões de dólares. Mais recentemente, em 2023, o Ciclone Fredy levou o país a solicitar 1,5 bilião de dólares.
Ao somar estes apelos, Venâncio Mondlane faz uma afirmação contundente: considera que, ao longo das últimas cinco décadas, o regime no poder já recebeu cerca de 5 biliões de dólares em ajuda para desastres naturais, que causaram pelo menos 3000 mortos.
Perante estes números, Mondlane coloca a questão central: "O que foi feito com este dinheiro todo?". O questionamento baseia-se numa observação prática: "Se todas estradas e pontes que foram construídas nos próximos incidentes se destroem, porquê?".
A resposta que ele sugere aponta para um problema crónico: "Desvios de fundos que são feitos". Para Mondlane, estas não são simples suspeitas, mas sim "as razões que fazem agravar esta situação", criando um ciclo vicioso de destruição, pedidos de ajuda e reconstruções frágeis que não resistem à próxima calamidade. O debate permanece aberto, com o líder da oposição a exigir transparência sobre o percurso de milhões em ajuda humanitária.

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