
Ronélio Francisco Zandamela "
Bom, desde o ensino básico aprendemos, na disciplina de Ciências Naturais, a tal dita - e, para alguns, maldita - lei da vida. Desde os primeiros passos do nosso aprendizado, somos ensinados de que, por natureza, os seres vivos nascem, crescem, desenvolvem-se e morrem. Já lá vou eu, na minha apreciação pela música, quando rappers do meu país decidiram lançar uma música intitulada “1001 Formas de Morrer”. Mas, infelizmente, ninguém escolhe a sua forma de morrer. Quem sabe, se pudéssemos escolher, a dor da morte seria mais amena. Ou, se calhar, morreríamos todos felizes, transmitindo essa energia aos que ficam, para que pudessem celebrar a nossa partida. Mas, como diz na sua letra Nikotina KF: “(...) cada um com sua forma, bolos saem diferentes (...)”. A morte pode vir por causas naturais. Ela pode encontrar-nos acordados ou em sono profundo, em momentos tristes ou em momentos alegres. Mas ninguém quer morrer. Ninguém se prepara verdadeiramente para a morte. E, mesmo assim, há quem prefira adiantar-se, por meio de uma corda pendurada ao barrote de um quarto, onde, no fundo, só se podem ouvir os gritos. Sim, gritos de dor. Gritos de quem se arrependeu e pede para ser solto. Mas o que dizer das mortes fracassadas? Como assim, as mortes fracassam? Sim. Algumas tentativas de suicídio dão errado; alguns copos envenenados são quebrados antes de chegar à boca; algumas facadas não são letais; alguns acidentes provocam apenas lesões. Mas, se Deus nos criou e, no seu tempo, nos levará da terra... Ah, sim! A Bíblia ensina que do pó fomos criados e ao pó voltaremos. Os cristãos acreditam que existe vida após a morte. Partem para o melhor e, em paz, descansam. É assim que escrevemos nos grupos de WhatsApp quando alguém parte: “Descanse em paz.” Mas o que dizer dos ateus? Ateus? Aqueles que têm as suas crenças depositadas em palhotas e que justificam a sua ida ao curandeiro como uma identidade africana ao rubro. Sim, porque vivemos num mundo que sabe apenas julgar, ler sentenças e acusar-nos de superstição. Aqueles que compram anos de vida como se de uma felicitação de aniversário se tratasse, com a famosa frase: “Mais anos de vida.” Mas e nós? Nós quem? Nós, os mais fracos, que, com medo das sentenças por ir à palhota, e agarrados que somos à fé, chegamos ao ponto de não querer dar o dízimo na igreja porque o pastor vai erguer mansões e comprar viaturas de alta cilindrada. Mas voltemos às 1001 formas de morrer. O que dizer do médico que morreu de malária? Como assim? Afinal, não bastava tomar doses de Quarten, Cloroquina ou Cuarinate? Não. Não, não, não. Mas e o motorista que morreu de AVC? A morte não escolhe pelo que fazemos, pelo que sabemos ou pelo que somos. Ela simplesmente chega. A morte não vem porque somos médicos, motoristas, pastores, curandeiros, ateus ou crentes. Não pergunta pela nossa profissão, pela nossa riqueza, pela nossa fé ou pela nossa posição social. A morte não vem pelo que fazemos ou pelo que somos. Ela vem como lei da vida. E talvez seja justamente por isso que, no fundo, nós não vivemos apenas para viver. Nós vivemos para morrer.2025/12/3
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