“Transportortes Yida em queda livre: falhas mecânicas, humilhação e negligência à assistência dos passageiros - denunciam utentes abandonados na rota Maputo–Beira”

Paulo Vilanculo"

 

 

 

A transportadora Yida entrou no mercado moçambicano como um símbolo de inovação e qualidade no transporte interprovincial, destacando-se pela aparente modernidade da sua frota, campanhas tarifárias atrativas e pequenos gestos de conforto, como a disponibilização de água a bordo. No entanto, os passageiros denunciam abandono na rota Maputo–Beira, tendo sido submetidos a condições consideradas inaceitáveis para uma viagem de longa distância.

 

O episódio ocorrido no dia 17 de abril de 2026, na rota Maputo–Beira, expõe de forma clara essa realidade da “nova” transportadora Yida. Relatos de passageiros indicam uma degradação preocupante dos seus serviços, colocando em causa a sua credibilidade num setor cada vez mais competitivo. O autocarro utilizado apresentava um estado avançado de degradação, incompatível com o serviço interprovincial: o sistema de ar condicionado encontrava-se inoperacional, os amortecedores estavam visivelmente desgastados e, em determinados trechos da Estrada (N1), as portas abriam-se devido ao impacto nos buracos.

A meio da viagem, o veículo apresentou falhas mecânicas graves, culminando na paralisação total do sistema de transmissão, evidenciando a ausência de manutenção preventiva adequada. A avaria, registada por volta das 15 horas, deu início a um cenário de abandono. A tripulação informou aos passageiros de que poderiam procurar meios alternativos para prosseguir a viagem, oferecendo o reembolso de apenas um terço do valor do bilhete, equivalente a 800 meticais. Porque que o valor proposto não cobria a realidade do custo da viagem remanescente, alguns passageiros, com recursos financeiros disponíveis, optaram por continuar a viagem por conta própria, pagando cerca de 1200 meticais adicionais, exigido por outros transportadores para o destino final.

Outros permaneceram no local, sem assistência, durante várias horas. A situação agravou-se com a falta de comunicação eficaz e apoio por parte da empresa. Apenas por volta das 21h30, após insistência de um dos passageiros, foi possível contactar um responsável identificado como Ricardo, que prometeu enviar apoio e disponibilizar água. No entanto, a promessa considerada insuficiente e desorganizada não materializada aumentou a insatisfação geral. Nem a água que tradicionalmente era oferecida aos passageiros, não foi disponibilizada, nem sequer, de forma especial e prioritária para as mães e as crianças.

Já perto das 23 horas, os passageiros foram transferidos para outra transportadora, numa solução improvisada que também se revelou ineficiente. Posteriormente, verificou-se que os valores alegadamente disponibilizados pela gerência para o pagamento do novo transporte não foram distribuídos de forma equitativa entre os passageiros. Em vez disso, houve relatos de pagamentos parciais e inconsistentes para alimentação e meio litro de água para passageiros expostos ao sol desde da avaria do autocarro, gerando mais descontentamento. Após cerca de uma hora de viagem, o novo motorista alegou fadiga e interrompeu o percurso, obrigando os passageiros a pernoitar e retomar a viagem apenas no dia seguinte.

A chegada ao destino final só ocorreu por volta das 15 horas, com um atraso significativo e sob condições desgastantes. Este episódio levanta sérias questões sobre os padrões de qualidade, responsabilidade e respeito ao consumidor por parte da transportadora Yida. Num contexto em que a mobilidade é essencial para a dinâmica económica e social, a empresa é chamada a rever urgentemente os seus procedimentos operacionais, investir na manutenção da sua frota e, sobretudo, adotar uma postura mais humanizada no atendimento ao cliente. A recuperação da confiança do público dependerá não apenas de melhorias técnicas, mas também de um compromisso real com a dignidade e segurança dos seus passageiros.

 

 

2025/12/3