
Paulo Vilanculo"
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anunciou à margem das celebrações dos 51 anos da Independência Nacional e em entrevista à TV Miramar, que o Governo está a realizar estudos para a implementação da Linha Férrea Norte-Sul. Trata-se de um projecto estratégico que visa ligar o país por via ferroviária, reforçando a integração económica e melhorando a mobilidade entre as diferentes regiões. Na ocasião, Matlombe defendeu que, depois da independência política, Moçambique deve concentrar esforços na conquista da independência económica. A construção de uma ferrovia que ligará o norte ao sul do país, tem um custo avaliado em cerca de $7,2 mil milhões. O projecto historicamente referente ao Laudo de Mac Mahon de arbitragem de 1875 da disputa fronteiriça sobre a Baía de Lourenço Marques/Maputo. Numa outra ocasião, o Ministro anunciou o fim da exclusividade dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) na gestão de carga, permitindo que privados operem diretamente as infra-estruturas. Para o executivo, a reforma visa “eliminar ineficiências atuais e preparar os empresários nacionais” para a crescente concorrência regional, especialmente da África do Sul para um trabalho conjunto entre o Estado, o sector privado e “a sociedade”, com vista à construção de uma economia mais forte, inclusiva e sustentável quebrando o monopólio dos CFM que abre ferrovias à operação privada para “vencer ineficiências”. Quando as promessas se tornam demasiadas, servem apenas para a passeata da classe e com cheiro a conflitos de interesses, até o pobre desconfia.
Na abordagem de Matlombe, destacando os resultados conseguidos na implementação do Plano dos primeiros 100 dias, os projectos estratégicos definidos para o Quinquénio 2025- 2029, parte dos quais já estão alinhados para a respectiva implementação no Plano Económico Social e Orçamento do Estado do presente ano (PESOE - 2025). Para o Ministro, o Governo está a dar ao Sector de Logística, conta com responsabilidade acrescida, na medida em que o seu âmbito de atuação foi alargado, incorporando na logística as infraestruturas rodoviárias, estradas e pontes (que compete as obras publicas e habitação). Para o Ministro, esta decisão completa a funcionalidade da logística, ancorada nos transportes marítimos, ferroviários, aéreos e rodoviários. O governo solicitou a revisão do Plano Económico e Social para reajustar metas e garantir que os recursos se traduzam em impactos reais na vida dos cidadãos. Nas prioridades governamentais, do Ministério que Matlombe apresenta-se, inclui a melhoria das vias de acesso secundário, a construção de silos/armazéns de conservação e a ligação direta dos pequenos produtores aos grandes mercados abastecedores e indústrias nacionais. Relativamente à Estrada Nacional (EN1), o governante garante que o processo de contratação decorre normalmente e que a expectativa é “seleccionar a empresa responsável até ao final deste ano”. Segundo o Ministro, as obras da EN1, poderão arrancar em 2027 e deverão ter uma duração estimada de cerca de três anos no ano de 2029, o que denota que o actual projecto governativo vai se cingir em simples projectos de caneta e papel, contratações e selecções que servirão de falácias e promessas governativas para os governados até o fim do mandato do presente quinquénio. Até quando que os Ministros ainda vão continuar a dormirem em sombras de projectos de papel desde da sua ascensão governativa em 2025 até hoje?
Segundo crónica do Canal de Moçambique, um pecado capital que se chama “Consultorícia” acaba de ser inventado no Ministério dos Transportes e Logística, de João Matlombe conta-se que cerca de 300 milhões de meticais passeiam alegremente entre consultorias milionárias, enquanto o povo continua a consultar apenas o preço do arroz antes de desistir de comprá-lo. Há até uma consultoria para "jovens profissionais" avaliada em quase cem milhões. São quase cem milhões para ensinar jovens, como se se tratasse de uma nova parceria e ramificação paralela de um novo ramo de “juventude e desemprego” num país onde milhares de jovens já fizeram o doutoramento, mas proliferam no desemprego. Diz-se que no ministério, perguntam ao ministro. "Excelência, como isto acontece?" Resposta: "Não sabia." Quando duas aeronaves ficaram retidas na África do Sul e a administração da empresa confirmou o fato, mas, a comunicação oficial chegou a classificar como falsas as notícias sobre aviões imobilizados na África do Sul, justificando que os aviões passavam por serviços de manutenção e repintura para adotar a nova imagem corporativa, além de ajustes nos procedimentos internos da companhia. Vale lembrar que o Ministro dos Transportes e Logística, vem evitando avançar detalhes sobre os contratos de aquisição e a situação das aeronaves, tendo, o governante declarado publicamente desconhecer a injeção financeira de 2 mil milhões de Meticais feitas na companhia. Confrontado ainda pela imprensa sobre o orçamento do evento do primeiro Conselho Coordenador do seu Ministério, o Ministro, afirmou publicamente não saber e justificou o desconhecimento argumentando que questões financeiras e a assinatura de cheques não são da sua competência direta.
Estas evidências são casos reveladores envolvendo personagens de topo da governação moçambicana, que levantam serias dúvidas sobre a capacidade do governar garantindo a integridade e a competência de funcionalidade de gestão administrativa. Afinal o que o Ministro Matlombe sabe do Ministério que representa? Estaríamos perante à Fada Azul de Pinóquio contando mentiras, fazendo com que seu nariz cresça a cada inverdade onde o povo vira criança? Para um combate o histórico de promessas não cumpridas e evitar que os planos fiquem apenas no papel, o Presidente Daniel Chapo implementou a assinatura de contratos-programa, exigindo aos ministros metas e responsabilidades concretas onde o Chefe de Estado passaria a avaliar os titulares das pastas ministeriais através de metas de governação formalmente assinadas, o que permitiria medir o desempenho do executivo. Qual é a calendarização das avaliações governativas dos ministros do dia? A história do Pinóquio narra a jornada de um boneco de madeira esculpido pelo bondoso carpinteiro Gepeto. A Fada Azul dá vida ao boneco que ganha a capacidade de andar e falar, mas seu nariz cresce cada vez que ele conta uma mentira. Numa das fugas, Pinóquio vai parar na Ilha dos Prazeres onde crianças desobedientes viram burros. Ao tentar se safar a falta à escola, ele conta mentiras à Fada Azul, fazendo com que seu nariz cresça a cada inverdade. Esta trajetória clássica gira em torno das lições de moral, travessuras e desafios para tornar do Pinóquio um menino de verdade. Enquanto a paciência não morre, os “domónios” vão rezando.
2025/12/3
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