
Paulo Vilanculo"
Que lembrança das faras prolongadas de ka Pfumo.
As nossas requintadas marabentadas de Fani Pfumo
Eu e a minha meiga musa magra
A mais bela famosa e formosa da Maragra
No seu olhar de aço fuzilante bronzeado de bagaço
Na aurora embalsamada de cacimba, ao cântico de chigovia,
ela rompia em segredo, pela caniçada, entre folhas lebres do canavial!
Como era besta genial…
Quantas vezes seduzido, em cinzas, fiquei reduzido
Eu e ela, gás!
zarpávamos deixando tudo para atraz.
com ela, a minha negra mestiça branca cafreal
meu amor proibido de xinavani,
já em xilunguíni
Ela ficava entrincheirada, de quando em vez, em xinhambanini
certas vezes, em Mikanjuíni
Acantonava-se ali para compreender as nossas falácias africanas
e aprender a nossa cultura moçambicana
O tio Arcanjo,
feito anjo
em suas calças boca de sino
afuniladas e largas ao cimo
voava de lés à lés, animando a calçada à ribalta do tram- tam- tam do ritmo do xigubo de chibuto
e no pincel de Malangatana
Ahaa...o insurdencente suável assobio frenético das cigarras
acariciando a vovó Tshambe respirando lágrimas de alegria escorrendo pela capulana...
Os sipaios? Os polícias?
Hum… os sentinelas cavalgantes...
Esses,
içavam seus chapéus
em ré
com o gume dos seus pés
coiçavam ventres dos seus cálabros cavalos e zás!
Em debandada
zanzavam na caçada dos seus troféus
os brancos malandros
aqueles que, na fúria dos desejos
se enrolavam em húmidos beijos roubos nos lábios mansos inocentes esculpidos nas bocas de café
nas colmeias enfeitiçadas de amor das maronguinhas sem véus
as pala-palas perfumadas de suor e perfiladas na rua Araújo
O meu tempo do carnaval
era formidável
era um vendaval
um amargo doce de furor e sabor natural
uma mistura de ternura contagiante ao rubro tempeste das garras e fúria do terror da gente colonial.
2025/12/3
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