
Paulo Vilanculo"
Ao longo da história alimentar moçambicana, logo após Moçambique ascender à independência, que se diga de verdade, na independência politica, em que o governo de então abraçou a gestão do Estado e uma economia centralizada, na década de 80, o acesso ao alimento era gerenciado pelas lojas estatais, as “cantinas das elites e as famosas inter-francas“, por outro lado, as lojas do Povo” que ficavam com as prateleiras vazias sem produtos básicos como arroz e feijão, um cenário que se equipara a escassez actual de combustíveis. Tal como é hoje para o combustível, também na altura, o acesso aos poucos alimentos igualmente dependia de madrugadas inteiras em filas (bichas), onde conseguir adquirir repolho ou um pouco de carapau era um alívio e a década ficou marcada na memória moçambicana como a "era do repolho e do carapau". Após a independência (1975), o governo declarou a agricultura como a base do desenvolvimento nacional, o alicerce para garantir a autossuficiência alimentar e fornecer matérias-primas como fator dinamizador para a indústria. A visão era romper com a dependência colonial e erradicar a pobreza. O foco do tempo pós-Independência (1975–1989) era a socialização do campo, através da operação produção e posteriormente com as cooperativas agrícolas.
Na década 90 veio o (PRE) Programas de Reabilitação Económica para restruturação da base da economia. A partir de 1998, iniciou-se o PROAGRI I, e seguiram outros programas em torno de estratégias de redução da pobreza (PARPA e PARP), nos quais o foco agrário foi operado através do PROAGRI II (2006-2010), o Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA) e recentemente o SUSTENTA. Quase todos programas Governamentais nunca tiveram uma avaliação para continuidade ou que justificassem suas instinções. No ano de 2023, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, disse que, em Moçambique, “90 por cento da população tinha alimentação segura, ou seja, já conseguia ter três refeições por dia (…) este é um grande sucesso dos moçambicanos”, o que colocava o país fora dos países em risco de fome. Segundo o ministro, no país, menos de 10 por cento da população é que estava em situação de insegurança alimentar, o que coloca Moçambique fora da lista dos países em situação de fome. “Nós estamos a ter estes resultados, mas agora o nosso grande desafio é ter a certeza de que são sustentáveis e consolidar este princípio, portanto, o trabalho ainda não está concluído, mas estamos no caminho certo (…) continuando neste caminho (…) agora temos, sim, que melhorar a dieta e ter mais estabilidade no acesso aos alimentos. Estamos a fazer de tudo para que consigamos pôr o aprovisionamento em tempo útil (…), para conseguirmos lançar as sementes de milho de ciclo curto e das hortícolas (…)”, garantiu Correia em declarações feitas durante um encontro que teve com o director-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Dongyu, em Roma, na Itália.
No ressucitar da era do repolho, propala se nas midias digitais referindo que na Segunda-feira, 11 de Maio de 2026, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recomendou às famílias moçambicanas, para que os têem quintais totalmente pavimentados, não deixarem de lado a possibilidade de remover ou destruir parte do pavê, e transformar esses espaços em pequenas hortas caseiras, para produzir alimentos, particularmente, hortaliças e vegetais. Na opinião do Chefe do Estado, remover parte do pavê dos quintais, para produzir comida, seria uma estratégia para reduzir algumas despesas familiares e contrapor possíveis impactos decorrentes do aumento do custo de vida, em resultado da subida do preço dos combustíveis. A sugestão de Daniel Chapo divde opiniões em vários segmentos da sociedade, havendo quem apoie o que o PR disse, e outros, que acham que o mais alto magistrado da nação não foi razoável, ao sugerir tal medida.
A atual Constituição da República reafirma que a agricultura é a base do desenvolvimento, com o sector familiar a desempenhar um papel crucial na segurança alimentar. Essa visão continua a ser uma premissa fundamental no país. O que colpsou para continuidade das politicas agrárias anteriores ao ponto do Presidente apelar as famílias moçambicanas para transformar seus espaços em pequenas hortas caseiras, um recuo ao incentivo para uma agricultura de cabo curto e de sobrevivência familiar ? Moçambique precisa de uma revolução verde, se por revolução verde se entender a transformação profunda e progressiva das instituições e tecnologias nas zonas rurais, capaz de contribuir para a crescente integração da economia rural na economia nacional. Os recentes pronunciamentos da liderança política e governamental, em defesa de uma revolução verde em Moçambique, por mais entusiastas que possam parecer, ainda não revelam substância e convicção suficientes, para demonstrar que representam uma adesão genuína à revolução verde em Moçambique.
2025/12/3
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