
Paulo Vilanculo"
Meu rei
Caro Salomão
Meu irmão
Encarecidamente,
Te peço sem sermão
Definitivamente,
Te imploro, abre as mãos
Na vida cada um carrega sua culpa e maldição
Não és único enrolado em confusão
Os santos pecam e prostram-se ao chão
Os reis também pedem perdão
Todos nós somos mortais
Morrem também as nossas campanhas eleitorais
Assim como foi com Savimbi, Kadafi, Mugabe…
Cada um, na sua vez, morreu, consigo nada levou
Aos seus povos ninguém nada deixou
É certo que a ninguém se babe.
Meu rei
Embora a terra o povo desbrave, evite que o celeiro desabe
Jamais, com o sofrimento do povo ninguém se gabe
É necessário encontrar outros caminhos sem que a situação se agrave
O lema é de um País está em progresso e marcha
Na Assembleia, hipopótamos latindo em matilha como grilos comilões anunciam falsas safras na primeira chuva antes da sacha
A paciência na pobreza do povo se racha
O povo caiu em decepção
O perigo é eminente para tudo ficar em farinha
Que adianta ser rei da espiga enquanto em volta floresce muita espinha?
O povo tem tanta e tanta coragem
A mata é densa
As lágrimas de fome destroem o brilho da Sua maquilhagem
A vontade dos pássaros de voarem para futuro melhor é imensa
Todo problema tem solução
Dê valor a vida dos irmãos
Lave sangue e abrace o perdão
Não se envergonhe de ter compaixão
Ao fim das contas ninguém de todos nós se escapará do caixão
Meu rei
Sem alarme, experimente uma paz sublime
Não invente nenhum utópico filme
Temos que encontrar formas para que qualquer voz destoante não se apague mas o vento o acalme
Faça com que o grito dos pobres tenha também timbre
Para caminhar firme, não paute por politicas ditatoriais
Compense o tempo perdido das mendicidades das frustrações memoriais
Regozije-se pelos feitos assumindo os seus actos
Não se alimente de boatos em detrimento dos factos
Torne-se num verdadeiro varão
Opte pelo puder de partilha e inclusão
Entre a esquerda e a direita, para o povo tanto faz
O que o povo quer é pão e paz
2025/12/3
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