Crise de combustíveis e o preço do táxi-mota em Nampula: entender para ultrapassar

Élio Zita"

Nampula está a viver dias difíceis. Há semanas que muitos postos de abastecimento têm pouco combustível, e isso sente-se na vida de todos nós. Quem mais sente no dia a dia são os nossos irmãos que trabalham de táxi-mota e os passageiros. A corrida que custava 50MT passou para 100MT, 150MT em algumas zonas. É normal que a população reclame, o dinheiro já não chega. E também é normal que o taxista aumente, porque o seu combustível também ficou muito mais caro. A verdade é simples. O litro que antes se encontrava facilmente nas bombas, hoje muitas vezes só se encontra no mercado informal, com um preço 2 ou 3 vezes mais alto. O taxista que antes enchia o tanque com 400MT, hoje precisa de 800MT ou 1000MT para fazer o mesmo trabalho. Se ele mantiver o preço antigo, não consegue levar comida para casa. Não é questão de ganância. É uma questão de sobrevivência de ambos os lados. O passageiro luta para sobreviver com o salário que não aumentou. O mota luta para sobreviver com o custo que duplicou. Ninguém ganha com esta situação. O taxista passa horas na fila em vez de trabalhar, o passageiro atrasa no serviço, o negócio no mercado fica mais caro. O que precisamos agora é de compreensão mútua. O passageiro compreender que o aumento não é má vontade do mota. E o mota compreender que o passageiro também está com dificuldades, por isso explicar o porquê do novo preço com respeito e negociar quando possível. Para além da bomba: quando a cidade depende de duas rodas Para entender Nampula, é preciso entender a mota. A nossa cidade cresceu e espalhou-se. O transporte que liga o bairro de Namicopo ao centro, de Muhala a Carrupeia, de Nampaco ao Hospital Central, é na sua maioria o táxi-mota. Estima-se que milhares de jovens sustentam as suas famílias directamente deste trabalho. Não são empresários. São pais, filhos, vizinhos nossos que alugam uma mota por 300MT por dia ou pagam prestações de uma mota que custou mais de 40.000MT. O seu lucro não é o preço da corrida. É o que sobra depois de pagar o combustível, o dono da mota, o óleo e o pequeno-almoço. Quando há crise de combustível, toda esta cadeia parte-se. O jovem acorda às 4h, vai para a fila. Fica 5 horas. Às vezes volta sem nada. Nesse dia, não trabalhou, mas a prestação da mota vence na mesma. A criança precisa comer na mesma. É aí que surge o recurso ao mercado informal, onde o litro chega a 250MT ou 300MT. Ele compra, não porque quer, mas porque parar significa ficar sem nada. Do outro lado, está a dona que vende carvão no mercado do Waresta. Ela pagava 60MT para ir e vir. Agora precisa de 200MT só em transporte. Se aumentar o preço do carvão, não vende. Se não aumentar, perde. O estudante da UniLúrio que vive em Namiepe, o enfermeiro que tem que fazer turno à noite, o pedreiro que tem que estar na obra às 6h - todos estão a fazer contas novas todos os dias. É por isso que digo: quando o tanque fica vazio, a cidade toda sente. Não é um problema de transporte. É um problema de economia local, de acesso à escola, à saúde e ao pão. O que podemos fazer enquanto aguardamos a normalização? Todos estamos à espera que o abastecimento normalize. Essa informação e solução vem das entidades competentes, e acreditamos que estão a trabalhar para isso. Enquanto isso não acontece, o que vai determinar se esta crise nos separa ou nos une é a nossa atitude entre vizinhos. Proponho três atitudes simples, que já vejo em muitos bairros e que devíamos espalhar: 1. Transparência e diálogo na corrida. O passageiro tem o direito de perguntar o preço antes de subir. O mota tem o dever de dizer a verdade: "Irmão, estou a comprar a 250MT na rua, por isso estou a cobrar 100MT". Quando há explicação, há menos zanga. 2. Solidariedade do bairro. Em vez de apanhar um mota diferente todos os dias e discutir preço sempre, muitos já combinaram com um ou dois Taxi-motas de confiança do bairro. Criam uma espécie de "avença" semanal. Dá segurança ao mota, que sabe que tem clientes, e dá um preço mais justo ao passageiro. 3. Evitar a especulação entre nós. Há quem não é taxista, mas aproveita a aflição para comprar combustível e revender a preços ainda mais altos. Essa atitude prejudica a todos. Se cada um comprar apenas o que precisa e deixar o outro também comprar, a fila anda mais rápido. É uma fase difícil, mas Nampula já ultrapassou fases difíceis antes. Somos uma cidade de gente trabalhadora, que acorda cedo e que se ajuda. Já passámos por cheias, por ciclones, por outras faltas. Sempre passámos porque nos entendemos. O preço da corrida vai voltar ao normal quando o combustível voltar ao normal. Até lá, que o preço da nossa solidariedade não aumente. Que nos falte gasolina se tiver que faltar, mas que não nos falte respeito um pelo outro. Hibinya NayiaKona!

2025/12/3