Diploma na parede alimenta o ego, impacto real alimenta o povo

Alberto Mudjadju"

Formar por exemplo 500 engenheiros por ano, mas continuar sem água canalizada no bairro, ter 2000 licenciados em gestão, mas a empresa fecha porque ninguém sabe gerir o fluxo de caixa. Enquanto que o impacto real tem que ver com algumas dificuldades enfrentadas internamente que deviamos solucionar como: se ainda precisamos chamar consultor de fora para resolver o que o nosso formado devia fazer. Em diploma na parede temos por exemplo um engenheiro que não sabe a diferença entre propano a ˗42°C  e Butano a ˗0,5°C, enquanto que em impacto real o tecnico garante que o navio butaneiro descarregue na Matola sem acidente e sem demora. Bem como um aluno que decora a largura do estreito de Ormuz para o exame e esquece no dia seguinte, enquanto que quem favorece o impacto real desenha uma doutrina para proteger o Canal de Mocambique. Se quisermos falar a sério em desenvolvimento, temos que parar de contar canudos e começar a contar problemas resolvidos, daí que o termómetro para medir a qualidade do ensino é a capacidade que tem de resolver os problemas da sociedade, pois o ensino de qualidade não é só nota alta no exame, mas sim quando o que se aprende na sala de aulas resolve algo lá fora na comunidade. Isso reflecte se por exemplo na medicina quando há menos mortes evitáveis no hospital, na engenharia quando as pontes não caem e a água chega sem cortes, na agricultura quando o técnico aumenta a produção do camponês, na area militar quando os oficiais que pensam as operações nos teatros operacionais com menos baixas e mais estabilização. Em suma, se o ensino não muda a rua, o bairro, a cidade, a provincia, a região, o país, então é só ornamentação.

Quando se ignora o termómetro para medir a qualidade do ensino ou a diferença entre o diploma na parede e o impacto real, corre se sérios riscos de fabricar muitos frustrados, com milhares de formados, mas o problema contínua, como consequência jovens com canudos viram massa para recrutamento, seja de partidos, igrejas ou grupos armados; dependência eterna, onde se a Universidade não resolve o problema de água por exemplo continuaremos a chamar um consultor estrangeiro para abrir poço; Ensino para o papel, onde a escola vira máquina de passar de classe, não de resolver problemas. Da Universidade deve se cobrar que o aluno de Mecânica por exemplo resolva o problema de transporte dentro do seu bairro ou distrito, e não pode ser o professor a dar a palavra final se o aluno é bom ou não, mas sim a sociedade, bem como o hospital, a empresa, o quartel devem dizer se o formado serve para aqueles que são os objectivos da profissão ou não. O modelo de ensino que surge na Alemanha após a segunda guerra mundial em que a população levava os seus problemas para a Universidade e esta por sua solucionava e devolvia as respostas para a comunidade, (daí onde surgem os extensionistas, que é uma espécie de prolongamento da Universidade dentro da comunidade de onde nascem os extensionistas, por isso que em todas as Universidades temos os gabinetes ou departamentos de extensão, para apoio a comunidade). As Universidades devem responder aos problemas reais da população, por isso que se diz ʺUniversidade que não cheira ao povo, só cheira a papelʺ.  

2025/12/3