
Alberto Mudjadju"
Boato é uma informação falsa ou distorcida que corre rápido, mexe com a emoção e vira acção antes de ser verificada. Ou pode se ir mais longe, que um boato é uma mentira com pressa ou uma informação falsa, distorcida ou não confirmada que se espalha rápido porque mexe com medo, raiva e esperança, com o objectivo de não informar, mas sim fazer os outros agir sem pensar. Existe uma diferença entre fofoca, rumor, boato, fake news e desinformação, primeira tem como intenção entreter as pessoas e anda a uma velocidade lenta e visa a reputação da suposta vitima, enquanto que o rumor tem o objectivo de criar dúvida nas pessoas e corre a uma velocidade média com o intuito de causar incertezas, em terceiro lugar vem o boato com a intenção de provocar alguma reação por parte do público alvo, caminha a velocidade muito rápida, acabando em linchamento e outros prejuízos, em seguida vem o Fake news com a intenção de manipular, caminhando a uma velocidade considerável, pode fazer se sentir em possíveis eleições ou alguma alteração no mercado, por fim, vem a desinformação que funciona de forma estratégica a uma velocidade planeada por quem leva a cabo esse fenómeno com consequências nas politicas públicas. O boato é uma espécie de semi colectivo de passageiros da mentira, barato, lotado e anda sem travão, com todas as condições criadas para a qualquer momento acidentar e causar danos. Fofoca estraga o bom nome da pessoa, enquanto que o boato estraga a vida. Verificaram se vários boatos em Moçambique, mas destacam se os seguintes: chupa˗sangue, este boato diz que há Homens de branco, com seringa gigante ou máquina a andar de noite em carro sem matricula, entram nas casas para tirar sangue das pessoas para vender ou fazer magia e o governo esconde porque está envolvido. Em Nampula os técnicos da saúde chupam sangue disfarçados. Em seguida vem o boato dando conta que o governo está a dar vacina que já vem com cólera dentro para matar povo pobre, quem toma morre em três dias, é um plano para reduzir a população, brigadas usam seringa para tirar sangue. também existe o boato da magia negra que leva consigo o albinismo, esse é o boato mais cruel, pois transforma pessoa com albinismo em peça de carro para feitiço, mata, mutila e enriquece bandido, pois acredita se que ossos, cabelo, pele e órgãos de pessoas com albinismo tem poder, quem entra no negócio fica rico, quem bebe sangue ganha sorte. E esse boato tem várias interpretações como na Zambézia, mão de albino no caixa da loja chama clientes; criança albina enterrada na fundação traz riqueza; sangue de albino cura SIDA. Sem aula de Biologia esse boato ganha mais força. Por fim, o boato do encolhimento de órgãos genitais, afirma que se um estranho te cumprimenta, te toca no ombro, te dá troco ou te passa na rua, teu pénis encolhe, some ou fica pequeno, só volta se bater no feiticeiro até ele desfazer, bem como colocar alfinete junto de um elástico num dos membros superiores funciona como antidoto do encolhimento.
Alguns sinais que podem facilmente desvendar um boato: pedido para partilhar urgentemente; a fonte é um ʺprimo do vizinho que viuʺ; dá muito medo ou promessa absurda; so está em áudio, não na rádio nem TV; o governo ou a entidade competente ainda não se pronunciou. Porque é que esses boatos em Moçambique viram epidemia na sua maioria das vezes na zona norte do país e na Província de Zambézia? Existem algumas hipóteses levantadas que tentam explicar o facto desse fenómeno pegar com facilidade nessa parcela do país, destaca se em primeiro lugar o trauma que a população tem da guerra, dos ciclones e do terrorismo que assola a região norte; a boca usada para difundir a informação, pois o analfabetismo é elevado e faz com que muitos não se beneficie das outras alternativas de receber a informação (o áudio vence o texto); o governo difunde alguma informação em 20h por exemplo em português e a população só vai perceber no dia seguinte emakhuwa às 14h, abrindo assim espaço para várias interpretações e tomada de decisões; a pobreza também é um factor determinante, pois quem tem fome não tem tempo de certificar a fonte da informação de modo a perceber se é verídica ou não; a fraca presença do Estado, da policia assim como outras instituições faz com que o boato se torne chefe do quarteirão.
O boato não se combate com um comunicado numa folha A4, mas sim com velocidade (resposta rápida), cara conhecida e a língua local usada em determinado ponto geográfico. O boato obedece fases: a faísca, incêndio e cinza. Na primeira (0 à 60 minutos) pode se desmentir caso contrário vira incêndio, na segunda (1h à 6h) fase deve se apagar o fogo com total força para que não vire um autêntico linchamento, na terceira (6h em diante) fase onde resta contar os danos causados. Ao tentar contrariar um boato não deve: desmentir com um texto A4 em português só, deve se alcançar quem não sabe ler e escrever também; demorar na resposta para investigar bem, pois o boato não investiga, ele mata; ameaça prender quem partilha, porque o povo partilha mais, escondido, o medo alimenta o boato; usar só a TV ou Rádio nacional porque até ao telejornal o boato pode ter chegado longe; desmentir sem mostrar a cara, tem que ser alguém especifico e conhecido pela própria população.
2025/12/3
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