
Alberto Mudjadju"
O sociólogo e teórico da paz Johan Galtung defende que a agressão é o resultado final de um processo de frustração acumulada. Segundo o autor, quando as necessidades humanas básicas — como segurança, liberdade, dignidade, emprego, educação e participação social — são impedidas de serem satisfeitas, surge a frustração. Quando essa frustração permanece durante muito tempo sem solução, ela pode transformar-se em agressão e violência. Galtung afirma que a violência não aparece apenas em forma física. Ela também pode existir nas estruturas sociais e culturais. A violência estrutural ocorre quando as instituições e a organização da sociedade impedem as pessoas de terem acesso às condições básicas de vida. Já a violência cultural acontece quando crenças, discursos e práticas sociais justificam ou normalizam a violência. Dessa forma, a agressão é vista como consequência de injustiças sociais prolongadas.
Na realidade moçambicana, o pensamento de Galtung pode ser observado em diferentes situações sociais e políticas. Um dos principais exemplos é a pobreza e o desemprego juvenil. Muitos jovens em Moçambique enfrentam dificuldades para encontrar trabalho, concluir os estudos e alcançar melhores condições de vida. A falta de oportunidades gera sentimentos de exclusão, desespero e revolta. Quando essas frustrações aumentam, algumas pessoas acabam recorrendo à criminalidade, violência urbana ou comportamentos agressivos. Outro exemplo importante é o conflito armado na província de Cabo Delgado. Apesar da existência de recursos naturais valiosos, como gás e minerais, muitas comunidades continuam vivendo em situação de pobreza extrema. Parte da população sente-se excluída dos benefícios económicos e sociais gerados pela exploração desses recursos. Segundo a teoria de Galtung, essa exclusão representa uma forma de violência estrutural. Como consequência, jovens frustrados e marginalizados tornam-se vulneráveis ao recrutamento por grupos extremistas, que utilizam a revolta social para promover violência e instabilidade.
Além disso, os períodos eleitorais em Moçambique também demonstram como a frustração pode transformar-se em agressão. Em alguns momentos, surgem acusações de fraude eleitoral, falta de transparência e exclusão política. Quando a população perde a confiança nas instituições e acredita que não existe justiça, aumentam os protestos, os confrontos e os conflitos sociais. Nesse contexto, a agressão torna-se uma manifestação da frustração colectiva.
Para prevenir a agressão e a violência, Galtung defende a construção de uma cultura de paz baseada na justiça social. Isso significa que a prevenção não deve limitar-se apenas ao uso da força policial ou militar, mas deve procurar eliminar as causas profundas da frustração. Em Moçambique, uma das principais formas de prevenção é investir na educação, saúde, emprego e desenvolvimento económico. Quando as pessoas têm acesso às necessidades básicas, diminui o sentimento de exclusão e aumenta a esperança no futuro. Outra medida importante é promover a inclusão dos jovens na sociedade. Programas de formação profissional, apoio ao empreendedorismo e participação comunitária ajudam a criar oportunidades e reduzir a marginalização social. Também é essencial fortalecer o diálogo, a tolerância e a reconciliação nacional, principalmente em regiões afetadas por conflitos.
O fortalecimento das instituições públicas também desempenha um papel fundamental. Instituições transparentes, justas e responsáveis aumentam a confiança da população no Estado e reduzem sentimentos de injustiça. Dessa forma, os cidadãos passam a acreditar mais em soluções pacíficas para os seus problemas, evitando o recurso à violência.
Conclui-se que, segundo Johan Galtung, a agressão é o último estágio da frustração acumulada. Na realidade moçambicana, factores como pobreza, desigualdade social, desemprego juvenil, exclusão política e conflitos armados contribuem para o aumento da violência. Para prevenir esse problema, é necessário promover justiça social, inclusão económica, diálogo e fortalecimento das instituições. Apenas através da eliminação das causas profundas da frustração será possível construir uma paz duradoura em Moçambique.
2025/12/3
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