Grão a Grão...

Afonso Almeida Brandão"

Há sete anos, o Partido CHEGA era «uma nota de rodapé» nas Eleições Legislativas: 1,29%. Um deputado. Um fenómeno tratado como excentricidade passageira. Desde então, a curva é tudo menos residual. 7,18% em 2022. 18,07% em 2024. 22,76% em 2025. Nas Eleições Presidenciais, André Ventura passou de 11,90% em 2021 para 23,52% na primeira volta de 2026 e 33,18% na segunda. Quem insiste em ler estes números como “um soluço conjuntural” escolhe a miopia. Não que se possa transpor percentagens de Legislativas para Presidenciais, ou vice-versa. A natureza dos escrutínios é distinta, o VOTO é mais personalizado, as lógicas de segunda volta distorcem alinhamentos. Mas, com Ventura, há um fator adicional — ele é o activo central. É ele que mobiliza. É ele que polariza. É ele que transforma um Partido Politico numa extensão da sua própria narrativa. Pode parecer excessivo — e é, sob o ponto de vista Institucional — mas é a Realidade Política do Momento, digamos assim. André Ventura não é “o líder da direita” no sentido clássico do termo. Não hegemoniza o espaço, não constrói maiorias estruturais, não governa. Porém, é hoje o seu polo mais dinâmico, aquele que apresenta um crescimento continuado e uma capacidade de transformar a indignação que por aí anda em votos efectivos. Eleição após eleição, consolida uma base fiel e amplia a periferia disponível para o experimentar. A cada ciclo, mais eleitores perdem o receio de o escolher — nem sempre por adesão ideológica, muitas vezes por saturação com o que existe. Os cerca de 400 mil votos adicionais na segunda volta Presidencial não transitam automaticamente para Legislativas. Seria intelectualmente desonesto afirmá-lo. Mas revelam algo politicamente relevante: existe uma janela eleitoral que já não o vê como interdito. Há ali eleitores que romperam uma barreira. Que, mesmo conscientes das fragilidades, optaram por testar essa hipótese. Voto de Protesto, sim. Voto instrumental, talvez. Voto “em vão”, para alguns. Mas são sempre votos reais — e é essa materialidade que conta numa Democracia representativa. Durante anos, os Media e os Partidos tradicionais preferiram a caricatura ao diagnóstico — aliás, procuraram alimentar-se do “monstro” que ajudaram a criar. Subestimaram a resiliência política de André Ventura em momentos adversos — e anunciaram colapsos iminentes que não chegaram e trataram cada polémica como o princípio do fim. A realidade foi outra. Nada disto implica absolver André Ventura das suas simplificações, ambiguidades ou excessos. Pelo contrário. Implica reconhecer que o fenómeno não é episódico. Está ancorado num eleitorado que se sente exausto, exaurido, desconsiderado. E que vota, sabendo o que aquele voto simboliza, porque quer sinalizar rutura. Porque quer perturbar. Porque quer ser ouvido. E porque quer, acima de tudo, derrotar o SISTEMA que dura há 50 Anos e que esteve sempre “nas mãos” do PS e do PSD. Ignorar esta realidade não resolve. Ridicularizar não converte. Moralizar não convence. Se há uma lição nestes números, ela é inequívoca — algo mudou estruturalmente em Portugal. A título de exemplo diremos que a França oferece um espelho incómodo do que sucede quando o Centro Político se fecha sobre si mesmo e deixa a contestação crescer nas margens até que as margens se transformam no centro. Não estamos condenados a replicar esse percurso. Mas também não estamos imunes. Chegados aqui poderiamos compará-lo ao Partido FRELIMO que está na mesma situação Política desde 1975 e que “não ata, nem desata”, o que é confrangedor e inaceitável, com a agravante de ter sido “eleito”, sucessivamente ao longo de cinco décadas com as habituais Vigarices e Actos Fraudulentos «à Boca das Urnas», como a maioria do Povo Moçambicano está farto de saber. A Democracia não se defende com superioridade moral, aldrabices e “fantochadas”; defende-se resolvendo a Vida das pessoas, o que NUNCA acontreceu com a FRELIXO no “poleiro”. A melhor forma de cuidar do Regime Democrático é tirar terreno ao descontentamento. Onde há eficácia e proximidade, ninguém se aproveita. Onde há falhas persistentes, alguém capitaliza. E, parecendo que não, grão a grão, enche a galinha o papo... Convenhamos que é o que tem acontecido em Moçambique desde sempre e estamos perande a verificação de uma pseudo-realidade que tem aguentado a FRELIXO a permanecer à frente dos Destinos de Moçambique e perante a (des)Governação do País há tantos anos. Contudo, como é sabido, grande parte do Povo continua a viver abaixo do Limiar da Pobreza. Até quando é que ninguém sabe. A ver vamos o que irá acontecer em 2029 quando chegar a altura de se realizarem novas Eleições, porque os moçambicanos já começam a ficar FARTOS e cansados de sofrer, a todos os níveis... Mas o pior de tudo é o “vazio” das «carteiras» dos cidadões moçambicanos, já de si precária, que chega “a atingir” os 80% da População Activa, e que a palavra metical é uma MIRAGEM sem fim à vista, para que todos possam sobreviver ao dia-a-dia, na Esperança de poder alcançar o almejado Futuro com um mínimo de dignidade e merecimento que já tarda...

2025/12/3