Afonso Almeida Brandão"
Chamam-lhe moderação, mas é método. Um método testado, eficaz e com memória histórica suficiente para não poder ser tratado como coincidência. António José Seguro não representava um risco pelo que dizia, mas pelo que permitia: a utilização de Belém como instrumento político para reconfigurar o Poder e devolver o «Chuxalismo» ao Centro do Regime, com luvas brancas e discurso conciliador. A história recente portuguesa ofereceu um precedente demasiado claro para ser ignorado. Também Jorge Sampaio chegou à Presidência envolto em consensos, brandura institucional e promessas de neutralidade. O resultado foi tudo menos neutro: a partir de Belém, um governo legítimo em funções foi derrubado e abriu-se caminho a uma hegemonia «Chuxalista» que durou mais de uma década. Chamaram-lhe responsabilidade institucional. Na prática, foi engenharia política com selo presidencial. Seguro surgiu como a segunda edição desse mesmo guião. Não para governar, mas para condicionar. Não para confrontar, mas para preparar terreno. Belém deixava de ser símbolo de equilíbrio e passou a ser plataforma estratégica. O método não é nem foi novo — apenas mais discreto, mais aceitável e, por isso, mais perigoso. O que verdadeiramente desconcertou, porém, é a atitude de Sectores (dita) da Direita. O apoio — explícito ou envergonhado a Seguro —, revelou não pragmatismo, mas desistência ideológica. Votar ao lado da “treta” do Canditado de Esquerda não é (nem nunca fui!) “maturidade” democrática, é/foi antes insanidade política. E acima de tudo abdicar dos próprios valores em nome de um consenso confortável, mediaticamente premiado e politicamente estéril. Contudo, esta Direita “domesticada” confunde convergência com virtude e capitulação com responsabilidade. Prefere ser aceite a ser alternativa. E depois surpreende-se quando deixa de representar quem nela Vota. Entretanto, André Ventura sempre foi (e continua a ser) tratado como ameaça à Democracia. A acusação é conveniente, mas intelectualmente desonesta e ridícula, sejamos frontais. Ventura não é antidemocrático; é um produto acabado do processo democrático. Surge precisamente onde a Direita deixou de existir e onde o ELEITOR deixou de se sentir representado. Não ameaça o Regime — expõe-lhe as fissuras. E isso incomoda muito mais do que qualquer rutura declarada. Alguma dúvida? O verdadeiro perigo para a Democracia não está no confronto político — esse ainda exige ideias, coragem e convicções. O perigo reside na convergência permanente, nesse abraço pegajoso onde Esquerda e Direita votam juntas e depois fingem surpresa quando o Eleitor já não distingue ninguém. Chamam-lhe maturidade; na prática, é desistência com pose institucional. Quando todos se entendem em nome do consenso, alguém fica sempre sem representação. Mas não faz mal: dir-nos-ão que é para o bem da Democracia. E enquanto Belém sorri, a Direita aplaude e o «Chuxalismo» agradece, restando ao Eleitor aprender a lição que insiste em ser ignorada pela maioria, pois em Política o que conta (pelos vistos!) são os beijos moderados que o Povo dá porque são eles os mais venenosos... Assim sendo, beijinhos do Jornal PRETO & BRANCO e até Domingo, para ficarmos a saber FINALMENTE quem efectivamente vai Governar (ou desgovernar Portugal), a partir de 2026, como Presidente da Repúbliuca de todos os Portugueses. Só faltam quatro dias para ficarmos a saber quem ganhou e quem ficou pelo caminho... Até já!2025/12/3
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