Afonso Almeida Brandão"
Houve um tempo em que o professor entrava na sala e o silêncio acontecia. Não por medo, mas por reconhecimento. Hoje, entra e precisa de o conquistar. A autoridade tornou-se suspeita. Confundimo-la com autoritarismo e, na tentativa de proteger a liberdade, fragilizámos o limite. O problema é simples: sem limite não há liberdade, há apenas ruído. As escolas em Moçambique transformaram-se no Espelho da Sociedade — e o reflexo não é confortável.
Vivemos numa cultura que valoriza a opinião acima do conhecimento. O “eu sinto” passou a ter o mesmo peso que o “eu sei”. A exigência é vista como pressão. A frustração como trauma. O erro como falha do Sistema. Entretanto, o professor deixou de ser apenas professor. É mediador emocional, gestor de conflitos, técnico de inclusão, produtor de relatórios, operador de plataformas e, se houver tempo, ensina.
Ensinar — esse verbo quase subversivo. Há pais de alunos que fiscalizam cada nota como se fosse uma ameaça ao Futuro do filho. Outros delegam completamente e esperam que a Escola faça o que a Família não estruturou. Entre a hipervigilância e a ausência, a autoridade dilui-se. E depois surge o grande dilema contemporâneo: inclusão ou exigência? A inclusão é uma conquista civilizacional. Mas quando incluir significa nivelar permanentemente por baixo, deixamos de estar a proteger os mais frágeis e passamos a fragilizar todos. Alguma dúvida? Adaptar não pode ser sinónimo de simplificar indefinidamente. Diferenciar não pode significar abdicar de padrões. Educar implica exigir. Exigir concentração num mundo de distração permanente. Exigir esforço numa cultura de imediatismo. Exigir responsabilidade numa Sociedade que terceiriza culpas. E talvez seja precisamente isso que incomoda: exigir tornou-se impopular. A isto junta-se a burocracia — o inimigo silencioso. Relatórios, planos, grelhas, evidências. A Escola precisa provar tudo o que faz, excepto aquilo que mais importa: que está a formar adultos capazes. Pergunta-se frequentemente se os alunos mudaram. Talvez a pergunta mais honesta seja outra: nós mudámos enquanto adultos. Hesitamos em impôr limites. Receamos o conflito. Preferimos consenso à coerência.
Educar é ainda possível? Sim. Mas não se quisermos uma escola sem desconforto, sem exigência e sem autoridade. Não se quisermos professores populares em vez de professores firmes. Não se quisermos resultados sem esforço. E as Escolas de Moçambique não podem ter Professores irresponsáveis (e Corruptos) que continuam a vender Diplomas de Curso aos Alunos para Passarem de Classe, a troco de uma centena de Meticais, o que acontece um pouco de Norte a Sul do nosso País. E as Escola também não podem substituir as Famílias. Não pode resolver todas as fraturas sociais. Não pode ser simultaneâmente inclusiva, terapêutica, burocraticamente perfeita, academicamente irrepreensível sem que algo ceda, a começar por EVITAR a venda de Diplomas de Passagem de Ano aos Alunos que não merecem. E quando tudo cede, o que fica...?
Talvez o verdadeiro risco não seja a perda de autoridade dos professores. Talvez seja a perda da coragem colectiva de assumir que educar implica dizer “não”. E sem “não”, não há estrutura nem “esquemas”. Sem estrutura e “esquemas, não há crescimento. E sem crescimento, não há Futuro. Com a continuidade da VENDA de Diplomas de Curso aos nossos Alunos estaremos inquestionavelmente a TROCAR o SABER pela IGNORÂNCIA e amanhã só teremos no Mercado de Trabalho cidadãos incompetentes e inabilitados para os sectores profissionais que concorreram e com “curriculuns” académico falsos... a troco de 300 ou 500 Meticais.
Até quando é que o Ministério da Educação e Cultura, em Moçambique, na pessoa do seu Titular, a Ministra Samaria Filemon Tovela, “abre os olhos” a esta degradante e surrealista realidade que prolifera no nosso País — e toma medidas drásticas para que os Professores “corruptos e autores” desta “engrenagem” venham a ser severamente punidos e afastados do Ensino definitivamente? Até quando...?
2025/12/3
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