Governo do Panamá declara estado de emergência após dois sismos fortes

O Governo do Panamá declarou estado de emergência no sábado, depois de o país ter sido abalado por dois sismos fortes e por réplicas que se prolongaram durante horas, provocando o colapso de edifícios e danos em todas as 10 províncias e em dois territórios indígenas.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, os dois sismos de sexta-feira tiveram magnitudes de 7,7 e 6,6 e epicentro cerca de 10 quilómetros a sudoeste da remota comunidade de Pitaloza Arriba, na província central de Herrera, a uma profundidade de 10 quilómetros. Os tremores foram sentidos também na vizinha Colômbia.

Até ao momento, as autoridades não atribuíram qualquer morte aos dois terramotos, mas foram registados 27 feridos, com lesões de gravidade ligeira a moderada. O ministro da Presidência, Juan Carlos Orillac, anunciou o estado de emergência numa conferência de imprensa na Cidade do Panamá, afirmando que habitações, escolas, instalações de saúde, estradas e hotéis figuram entre as estruturas danificadas.

Os danos concentram-se sobretudo nas províncias centrais de Veraguas, Herrera, Coclé e Los Santos. De acordo com o organismo de proteção civil, cerca de 420 habitações e um número equivalente de escolas públicas ficaram danificadas, além de sete hotéis, pelo menos 13 igrejas e nove pontes.

Citado pelo the Guardian, na localidade colonial de Los Santos, situada a cerca de 64 quilómetros do epicentro, várias casas e uma igreja católica histórica colapsaram. Toni Jiménez, um residente de 90 anos, sentado debaixo de uma tenda com familiares enquanto aguardava orientações do governo, contou: "Estou aqui desde a uma da tarde de ontem e não me movi. Isto é terrível. Posso dizer-lhe com certeza que nunca vi nada assim em 90 anos. Foi muito violento — realmente muito violento."

A igreja de San Atanasio, que colapsou, foi classificada como património histórico nacional em 1938. As autoridades afirmaram que algumas comunidades continuam isoladas devido a deslizamentos de terra e estradas danificadas. Na ilha de Caña, perto de Los Santos, cerca de 300 pessoas foram evacuadas devido à subida do nível do mar e à agitação marítima.

Uma estação de tratamento de água na Cidade do Panamá operava no sábado apenas com 20% da sua capacidade, e seis hospitais montaram estruturas de tendas com camas dobráveis. O Aeroporto Internacional de Tocumen suspendeu as operações após o primeiro sismo, mas reabriu algumas horas depois.

A Autoridade do Canal do Panamá afirmou que a navegação no canal se mantém normal. O Presidente do Panamá, José Raúl Mulino, apelou à calma da população, sublinhando que "o que aconteceu não deve ser usado para criar pânico ou confusão".

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