
Moçambique está sob alerta vermelho. O governo estima que o fenómeno El Niño, que se instalou em maio de 2026 e deverá prolongar-se até abril, possa afetar 5,3 milhões de pessoas e provocar prejuízos superiores a 18,4 mil milhões de meticais já em 2027.
O aviso consta do Relatório de Riscos Fiscais 2027, do Ministério das Finanças, que coloca os desastres naturais no topo das ameaças à sustentabilidade das contas públicas e à estratégia de consolidação fiscal do país.
Segundo o documento, o atual episódio do El Niño pode tornar-se "um dos mais severos desde 1950", superando os registados em 2015/16 e 2023/24. A época chuvosa em Moçambique decorre de outubro a abril, período em que o fenómeno deverá manter-se activo.
O relatório traça um cenário climático assimétrico. Nas regiões centro e sul, onde se concentram 76 distritos semiáridos, prevê-se precipitação abaixo do normal, elevando o risco de seca severa. Já no norte, são esperadas chuvas normais a acima do normal, aumentando a exposição a cheias e inundações — numa área já habituada a ciclones e tempestades anuais.
Esta configuração, alerta o Ministério das Finanças, poderá reduzir a produção agrícola, agravar a insegurança alimentar, comprometer a geração de energia e pressionar as despesas públicas com saúde, assistência humanitária, proteção social e reconstrução.
O Governo reconhece que o impacto do El Niño não será apenas humanitário, mas também orçamental. Com menos receita e mais despesa, o espaço fiscal do país estreita-se, num momento em que Moçambique tenta consolidar as suas finanças.
Várias organizações internacionais têm vindo a alertar, nos últimos meses, que Moçambique é um dos países mais ameaçados pelo próximo El Niño, prevendo que este possa ser um dos mais graves de sempre.

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