Preto & Branco

Plataforma de produção de gás a caminho…

A plataforma de produção de gás natural do projecto Coral Sul, na bacia do Rovuma, construída na Coreia do Sul está a caminho de Moçambique  após o apito de partida dado pelo Presidente da República, Flipe Nyusi, que esteve naquele país asiático entre segunda e terça-feira.

Esta plataforma produzida pela divisão industrial da Samsung, na Coreia do Sul e denominada Coral Sul, deverá partiu esta semana da Coreia com destino a  Cabo Delgado e vai levar 60 dias de “caminhada” em várias águas.

O Consórcio Concessionário da Área 4 da Bacia do Rovuma, na parte offshore, registou um dos mais históricos momentos do seu projecto de exploração de gás natural em Cabo Delgado: a entrega oficial da plataforma que vai produzir 3.4 milhões de toneladas anuais a partir do próximo ano.

Segundo apuramos trata-se de uma infraestrutura que pesa 220 mil toneladas, tem 432 metros de cumprimento, 66 de largura e 38.5 metros de profundidade. É a primeira plataforma flutuante na nossa região e tem a torre interna mais profunda do mundo. É a plataforma flutuante de gás natural que mais fundo vai do mundo. A nível da divisão industrial da Samsung, esta é a unidade naval número 2235.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, no seu discurso, falou da importância deste passo para a exploração do gás natural de Moçambique e, consequentemente, para a economia do país.

“De um pequeno produtor, Moçambique passará a ser um actor relevante de gás natural liquefeito. Esperamos que num futuro próximo, sejam estimulados investimentos na infraestrutura nacional, mais empregos e disponibilidade de uma fonte de combustível para a geração de energia doméstica e industrialização de Moçambique, a petroquímica e outros produtos, resultando num novo dinamismo na economia que a queremos diversificada e robusta”, considerou o estadista no contexto do acto solene coberto pela imprensa nacional e internacional.

Num momento em que o mundo debate a necessidade de reduzir a emissão do carbono, o Presidente da República Coreana, Moon Jae-in, destacou que o uso de gás natural é o melhor caminho para a tão falada transição energética. “O gás natural liquefeito é o meio de produção de energia que menos emite carbono para a atmosfera, quando comparado com o carvão e o petróleo”, referiu Jae-in, citado pela Lusa.

O momento da entrega foi marcado pelo lançamento de fogos de artifícios, em uma celebração do que é a virada da história de Moçambique e coube à Primeira-dama de Moçambique, Isaura Nyusi, a missão de ser madrinha da plataforma. Nessa qualidade, ela fez votos solenes para que a unidade fabril tenha produção que se espera e que não tenha sobressaltos ao longo dos seus 25 anos de vida.

Filipe Nyusi vincou segunda-feira passada que “novos horizontes de desenvolvimento começam a cintilar” com o arranque da exploração de gás da bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, confiante na pacificação da província.

Tranquilizante aos parceiros do gás

Perante a plateia e todos os parceiros da Área 4 de exploração de Moçambique, nomeadamente a petrolífera italiana Eni, que lidera o projeto Coral Sul, Nyusi prometeu “tudo fazer para remover o último obstáculo”, até ser restaurada “completamente a segurança e tranquilidade”, numa alusão à insurgência armada em Cabo Delgado.

Dizendo estar ciente de que “a paz e segurança” são fundamentais para que haja investimento, referiu que “há avanços assinaláveis nas ações contra o terrorismo na província”.

Uma crescente segurança que “encoraja os investidores da Área 1, liderados pela Totalenergies, a equacionarem a retoma dos investimentos” em terra, no distrito de Palma, suspensos em março devido a ataques armados de rebeldes.

O Presidente moçambicano disse que há contactos em curso com as concessionárias para definir “os momentos certos” para a retoma da construção da fábrica de liquefação de gás na península de Afungi, mas sem compromissos em relação a datas.

 

Adicionar comentário

Leave a Reply