Preto & Branco

CPLP deve deixar de ser elitista e servir os povos

– Considera o antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano

O antigo estadista moçambicano e considerado o pai da democracia multipartidária no país, Joaquim Chissano, considera que a Comunidade dos países de Língua Portuguesa (CPLP) deve deixar de ser elitista para ser uma comunidade os povos dos países que a constituem e um fundo deve ser criado para combater um dos problemas comuns, a pobreza.

” A CPLP ainda não é conhecida pelas populações, não se sente a sua presença e os povos têm de aparecer como participantes em alguma coisa. A CPLP tem de ser mesmo uma comunidade, não só para intelectuais, elites, diplomatas, mas uma comunidade para os povos”, vincou Joaquim Chissano, que governou Moçambique de 1986 à 2005, tendo viabilizado a transição do mono para o multipartidarismo ao liderar o processo de aprovação, pelo parlamento, da Constituição de 1990 e a subscrição do Acordo Geral da Paz, entre o Governo e a então movimento guerrilheiro da Renamo, em 1992.

Se debruçando a propósito do aniversario da CPLP, recentemente celebrado, Joaquim Chissano reconhece, no entanto, que tem fórmulas e que essa tarefa requer estudo, mas sublinha que, “é preciso ver quais podem ser os programas da CPLP a levá-los para o terreno, encontrar uma forma de a organização se tornar mais visível, mais sentida pelas populações, algo de que elas se sintam parte”.

Chissano avançou que existem temas práticos e comuns que podem abordados de forma oportuna pela CPLP, tais como o combate à pandemia da COVID-19 usando a língua como plataforma para iniciativas comuns, ou a reposta ao terrorismo em Cabo Delgado, através de uma massiva mobilização da opinião pública internacional.

Numa visão mais ampla e que possa ser impactante para as populações que congregam esta comunidade linguística, citado pela Lusa, Joaquim Chissano sugeriu estudos para a criação de um fundo da CPLP, que se pode dirigir ao combate à pobreza, ainda presente de diferentes formas em todos os países membros.

Quanto ao futuro, este antigo estadista e de ampla repercussão diplomática mostra-se confiante em relação à capacidade das novas gerações em dar continuidade ao projecto da CPLP e melhor posicionamento no mundo.

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