Preto & Branco

Transportadora Nhancale semeia luto no país

A tragédia envolveu dois camiões e um autocarro da transportadora Nhancale, que embateu num dos camiões e depois capotou ao tentar fazer uma ultrapassagem irregular, 32 pessoas perderam a vida no local, por esmagamento, fracturas e amputações, sendo que o número poderá aumentar visto existirem feridos em estado grave.

Mesmo que ainda espera-se do relatório da investigação sobre o ocorrido está assente que a ultrapassagem de autocarro de forma irregular e em velocidade, está do cerne do pior acidente de sempre no país.

O acidente de viação que matou mais de 30 pessoas na estrada Nacional Número 1 na noite de sábado é considerado pelas autoridades o pior de sempre no país e o sangue ainda na estrada revelava a magnitude da tragédia.

“Este é o acidente mais aparatoso e com um nível de fatalidade mais alto que já tenhamos registado”, disse o director nacional de Transportes e Segurança, Cláudio Zunguza, no local do acidente.

Descrevendo a situação da ocorrência, explicou que a tragédia envolveu dois camiões e um autocarro da transportadora Nhancale, que tentou fazer uma ultrapassagem irregular, embateu num dos camiões e capotou, provocando a morte de, pelo menos, 31 pessoas no local e ferindo outras 28 pessoas, 12 das quais gravemente. “Constatamos que se tratou de uma ultrapassagem irregular, associada ao excesso de velocidade por parte do autocarro”, vincou.

Fracturas, amputações e esmagamento….

No local, durante o fim-de-semana o sangue ainda fresco no asfalto revelava a magnitude do acidente, ocorrido na principal estrada do país (EN1), no distrito da Manhiça, província de Maputo.

O autocarro em que as vítimas seguiam foi retirado da estrada, mas os destroços, alguns dos quais ensanguentados, continuavam no local, bem como os dois outros camiões que se envolveram no sinistro.

Os sobreviventes foram levados durante a noite para o Hospital Distrital da Manhiça, mas posteriormente foram transferidos para Hospital Central de Maputo, o maior do país.

Citado pelo diário “O País”, o director clínico do banco de socorros do Hospital Distrital da Manhiça, avançou que as causas da morte da maior parte das pessoas que a unidade recebeu foram amputação traumática e múltiplas fracturas expostas, embora alguns tenham perdido a vida esmagados durante o acidente. “Muitos deles chegaram já sem membros”, declarou Milton Meneses, acrescentando que, desde a noite de sábado, várias famílias têm estado no hospital para identificar os corpos.

Sanções severas em vista…

As autoridades policiais e do sector do transporte no país ponderam retirar a licença aos Transportes Nhancale, cujo autocarro esteve na origem do acidente rodoviário que causou dezenas de mortes semeando luto em inúmeras famílias moçambicanas.

O Comandante Geral da PRM, Bernardino Rafael, apresentou a hipótese de banir a transportadora tendo em conta que esta não é a primeira vez que a mesma se envolve em sinistros de igual dimensão.

Em 2017, a empresa foi sancionada pelas autoridades rodoviárias nacionais por ter estado na origem de um acidente que vitimou 12 pessoas na província de Inhambane.

“A empresa tem essa recorrência de acidentes de viação, pelo que não está a beneficiar os seus clientes, nem a si própria, então a sua existência deve ser nula”, afirmou o Comandante geral.

Por seu turno, o ministro dos Transportes e Comunicações, Janfar Abdulai, que também esteve no local, garante que em menos de duas semanas serão relevados os resultados da investigação ao acidente e então será decidida ou não suspensão da Transportadora Nhancale.

“Esta transportadora foi suspensa em 2017 e voltou a trabalhar, porque reuniu os requisitos para retomar. Agora, vamos fazer um trabalho de apuramento das causas do acidente e, se se provar que a responsabilidade é da transportadora, será suspensa. A nossa comissão também vai garantir que tudo que for da responsabilidade do Estado seja devidamente assumido. Este é um trabalho multissectorial e as equipas estão a trabalhar”, disse Abdulai.

A situação da sinistralidade rodoviária em Moçambique é apontada por várias organizações não governamentais como dramática, com o país a ocupar a sexta posição da lista de países com maior índice de sinistralidade na África Austral.

Em média, pelo menos mil pessoas morrem anualmente em acidentes de viação em estradas moçambicanas, segundo dados avançados à Lusa, em maio, pela Associação Moçambicana para Vítimas de Acidentes de Viação (Amviro).

No entanto, em 2020, o país registou o número mais baixo de fatalidades nas estradas dos últimos 10 anos (855 óbitos), um dado associado às restrições impostas pela Covid-19.

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